Domingo, 26 Setembro 2021

Vinhedo registra baixa letalidade na pandemia do coronavírus

Vinhedo registra um dos mais baixos índices de letalidades por contaminação de coronavírus da Região Metropolitana de Campinas (RMC), bem abaixo do índice do Estado de São Paulo e do Brasil. A cidade está entre as cinco de menor letalidade na RMC, com índices inferiores a 1,5%. Vinhedo tem, nesta sexta-feira (12), 4.590 casos confirmados da doença e 70 mortos, índice de letalidade de 1,5%.

No Estado de São Paulo o índice é de 2,9% e no Brasil, de 2,4%. Na RMC oito cidades têm índice menor que 2%, entre elas Vinhedo. Dez cidades possuem índice de letalidade entre 2% e 3% e duas acima de 3%. Os dados foram extraídos dos boletins de covid-19 divulgados pelos municípios nesta sexta-feira (12) e também no site do governo estadual, pelo Seade.

Segundo o diretor de Vigilância em Saúde de Vinhedo, Milton Ribolli, desde o início da pandemia até esta sexta-feira (12) Vinhedo nunca registrou índice de letalidade superior a 1,6%. "Sempre estivemos abaixo desse índice", afirmou.

Ribolli atribui a baixa mortalidade a um conjunto de ações que garantem o tratamento adequado dos pacientes, desde protocolos de medicação até manejo hospitalar, como posição dos pacientes internados para facilitar a respiração. "Não podemos atribuir esse baixo índice a um só fator, mas a todo o conjunto de medidas adotadas no atendimento aos pacientes, buscando sua recuperação", afirmou.

Uma importante medida, de acordo com o diretor, foi criar, desde o início da pandemia, acesso e ala separada para pacientes com síndromes respiratórias e suspeita de covid-19, afastando-os dos demais casos de emergência, na UPA e no PA da Capela. "Isso evitou que um morador chegasse à UPA com dor nas costas e saísse contaminado por coronavírus", disse.

O diretor acrescentou que a cidade conta com uma equipe competente e perseverante no atendimento aos pacientes com covid-19. "São profissionais dedicados a cuidar dos pacientes, para oferecer o máximo de cuidado e conforto durante o tratamento. Temos excelentes profissionais na nossa rede pública e na Santa Casa", disse.

Taxa de positividade

O infectologista da Santa Casa de Vinhedo, André Giglio Bueno, apontou que, em geral, cidades menores tendem a ter baixos índices de letalidade. Mas ele explicou que outros fatores podem contribuir para melhores resultados.

Um deles é a taxa de positividade, segundo o especialista. Ele explicou que o diagnóstico é importante porque quanto maior o número de pessoas testadas, menor o índice de letalidade. "Na Santa Casa de Vinhedo fazemos bastante testagens e diagnósticos. Quando testamos mais pacientes, temos mais registros de casos positivos, o que ajuda a reduzir a letalidade", comentou.

A assistência ao paciente também contribui para manter o índice de letalidade menor, conforme Bueno. "Até aqui temos conseguido absorver a demanda de pacientes de Vinhedo e não tivemos problemas de composição de equipe de profissionais de saúde. Nossa equipe tem se mantido uniforme no período todo da pandemia. Podemos oferecer assistência adequada na UTI e boas condições de trabalho", afirmou.

Protocolo

Bueno elaborou o protocolo de atendimento para covid-19 aos pacientes na Santa Casa, mas esclareceu que podem ocorrer variações. Ele lembrou que pacientes com sintomas mais leves da doença não precisam tomar medicação. Quando há necessidade de internação, segundo ele, pode haver indicação de anticoagulação profilática.

"É muito importante identificar oportunamente a necessidade de oxigênio e ofertar oxigênio ao paciente. Aprendemos, com estudos ao longo da pandemia, que o corticoide ajuda no combate ao vírus", disse o especialista. Ele acrescentou que os pacientes intubados e de UTI são os que precisam de maior suporte ventilatório.

"Nos casos de UTI, o que muda é o suporte ventilatório. Podemos adotar estratégias para melhorar a oxigenação, como a posição do paciente", afirmou Bueno. Ele lembrou que ainda não há nenhuma medicação preventiva para a covid-19. "Há pesquisas sobre imunomoduladores, mas não temos resultados estabelecidos", disse.

Fase emergencial do Plano São Paulo

O infectologista André Giglio Bueno disse que considera adequadas as medidas anunciadas pelo governo estadual nesta quinta-feira para reduzir ainda mais a circulação de pessoas, com a adoção da fase emergencial do Plano São Paulo de combate ao coronavírus.

"Deveriam ter sido adotadas antes. Quando achamos que a crise é do tamanho que parece, já perdemos o timing. As medidas foram tardias, poderiam ter sido adotadas duas semanas antes do início da fase vermelha, mas é uma atitude corajosa porque são medidas impopulares", disse.

Vacinação

Bueno comentou que restringir a circulação é uma das medidas para conter o avanço da pandemia. A outra é a vacinação em massa da população, que ainda não está acontecendo no Brasil. Ele considerou positiva a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de dar autonomia aos municípios para comprar vacinas caso o governo federal não consiga suprir a demanda.

"Ótimo que isso tenha sido aprovado. Mas temos que lembrar que os acordos de compra de vacinas com os fabricantes foram fechados no passado. A vacina não vai chegar de uma hora para outra e é pouco provável quer essa autorização tenha impacto imediato", avaliou.

Importação provisória

Nesta quarta-feira (10), a Anvisa liberou a importação provisória de vacinas por estados e municípios que ainda não tenham registro ouautorização comercial no Brasil.

Os medicamentos e vacinas importados devem ter indicação específica para tratamento da covid-19, aprovados pela autoridade sanitária do país de origem e precisam ter estudos clínicos na fase 3 concluídos ou com resultados provisórios.

Ainda segundo a Anvisa, medicamentos e vacinas precisam ser registrados ou autorizados para uso emergencial por, no mínimo,uma das seguintes autoridades sanitárias estrangeiras e autorizados à distribuição em seus respectivos países: Estados Unidos, União Europeia, Japão, China, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, Rússia, Índia, Coreia, Canadá, Austrália, Argentina e outras autoridades sanitárias estrangeiras com reconhecimento internacional e certificadas.

Índice de letalidade da covid-19

São Paulo – 2,9

Brasil – 2,4

Cidades da RMC

Holambra – 0,8

Santo Antônio de Posse – 1,2

Paulínia – 1,4

Vinhedo – 1,5

Itatiba – 1,5

Engenheiro Coelho – 1,6

Jaguariúna- 1,8

Cosmópolis – 1,9

Morungaba – 2,1

Pedreira – 2,2

Artur Nogueira – 2,3

Indaiatuba – 2,4

Americana – 2,5

Campinas – 2,7

Santa Bárbara d'Oeste – 2,7

Monte Mor -2,8

Sumaré – 2,8

Hortolândia – 2,9

Nova Odessa – 3,3

Valinhos – 3,3



Fonte – Dados obtidos nos boletins municipais publicados nesta sexta-feira nos sites das Prefeituras e no Seade

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