Por Wilson Vilela
Dentro do meu atual comportamento no sentido de não mais adiar o café com os amigos, resolvi, ao lado de minha esposa Mirian, aceitar o convite tantas vezes protelado de tirar uns poucos dias de folga e passar um tempinho com os compadres David e Catarina em Gonçalves, uma das cidades mais charmosas da Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais, que oferece aos seus visitantes boas pousadas, ótimos restaurantes, cenários naturais exuberantes, dentre os quais centenas de quilômetros de trilhas ecológicas, cachoeiras de água pura, fazendas abertas à visitação na zona rural, além do clima inconfundível do alto da serra.
Chegamos à cidade por volta do meio dia e os compadres já nos esperavam na praça da Matriz para nos guiar até o chalé de sua propriedade onde compartilharíamos prosa, café, boa comida com os sabores da culinária mineira, muitas lembranças e risadas, queijos, vinho, cerveja, limoncello, o tradicional licor italiano de limão siciliano, feito pela nossa anfitriã Catarina (ela que, assim como o David detém cidadania italiana), ao lado da mesa ou da lareira, sempre acesa como a nossa amizade de tanto tempo.
À noite, com a temperatura marcando 4 graus, curtimos o céu estrelado e olhando para as araucárias gigantes, e vendo no céu límpido a luz das estrelas tremulando por entre os seus galhos, entendi o que sentiu o monge alemão Martinho Lutero, responsável pela reforma protestante, quando, num passeio que fazia numa noite de inverno, ao avistar estrelas por entre alguns galhos, quis recriar aquele momento especial para a sua família, colocando velas iluminadas na árvore de natal, iniciando uma tradição que hoje reproduzimos decorando as árvores com luzinhas.
Na cidade conhecemos algumas figuras ilustres como o dinâmico ex-prefeito José Francisco Neto, que tornou Gonçalves a primeira cidade do estado das Minas Gerais a ter assistência integral de saneamento básico. Zezito, assim chamado carinhosamente pelo povo gonçalvense, quando prefeito, nas suas duas gestões, semelhantemente ao que fez Luiz Bissoto em Valinhos, dotou a zona urbana de rede de esgotos sanitários e, mediante levantamento social, atendeu toda a zona rural com a instalação de fossas sépticas. Além disso, criou um sistema integrado à rede municipal de saúde que lhe permitia saber de todos os doentes que estavam em estado grave, possibilitando o seu imediato atendimento e cuidados, tornando Gonçalves a cidade que hoje é!
É bem verdade que a população da cidade, por volta de cinco mil habitantes, permitia-lhe essa condução da coisa pública. Contudo, é preciso vontade política para implantar essas ações, onde temos que reconhecer que uma boa gestão pública, voltada aos reais interesses da coletividade, merece o nosso aplauso.
Mas o que é bom dura pouco e acaba. Ficamos apenas uns dias e retornamos, pois o trabalho no escritório não permitiu que pudéssemos estender essas “férias” tão agradáveis, repousantes e estimulantes, onde fomos acolhidos com muito carinho, cercados de mimos, sempre revigorando o calor de uma amizade que perdura pelo tempo e, que, por certo, nos acompanhará até o fim da nossa jornada quando a última letra se vai e vira-se a derradeira página do livro que contém a escrita da nossa vida.
Mas em breve voltaremos a esse aconchego em Gonçalves, com a permissão do Altíssimo, para curtir o calor da lareira, as noites estreladas, a comida saborosa, a alegria da amorosa companhia e os brindes à verdadeira e leal amizade!