O PAÍS QUE ‘DESEDUCA’

Que o país vai mal na educação, não é novidade para ninguém. A desvalorização covarde ao professor, um sistema que não estimula o aprendizado e os consequentes baixos índices obtidos pelas escolas públicas parecem importar menos do que como está a seleção. “Futebol não se aprende na escola. E é por isso que o Brazuca é bom de bola”, cantou Gabriel Pensador no genial retrato social em forma de rap chamado Brazuca.

Hoje, no mesmo dia em que fizemos a matéria sobre os resultados preocupantes obtidos pelas escolas municipais e estaduais de Valinhos, fui “encontrado” por um conhecido professor da cidade. Nostálgico, sensível, com olhar crítico – como preza um bom mestre de História -, confessou, entre outros pesares, sua angústia a respeito da atual Educação no Brasil.

Como se não bastasse a ignorância empoderada do atual governo, a má educação em todos os sentidos que faria um Neandertal ter vergonha, e os dias de luta de uma carreira marcada pelo desprezo do saber do povo, o professor lamentou a falta de interesse de se mudar. Assim como outro mestre que conversamos neste mês em uma entrevista, ele disse que o problema maior não era o baixo índice de aprendizagem dos alunos, mas os bastidores do corpo docente e o interesse genuíno em lecionar.

Deslocado de suas funções profissionais após a aposentadoria, o educador economizava goles de café na pequena xícara, mas lhe sobravam palavras sábias e desesperadas para encontrar alguma cabeça que o validasse. E aí é que ecoa, mais uma vez, a sucinta frase de um dos maiores sociólogos do país, morto há exatos 25 anos: “A crise de educação no Brasil é um projeto” (Darcy Ribeiro).

Leia anterior

ELEIÇÃO SEM ISENÇÃO

Leia a seguir

NO DIA MUNICIPAL DO SURDO, VALINHENSE PEDE MAIS INCLUSÃO NOS ESPAÇOS PÚBLICOS