Dentre os assuntos da semana, a intitulada “comemoração e volta olímpica” dos estudantes — agora, ex-estudantes — do curso de medicina da Universidade Santo Amaro (Unisa), pertencentes ao time de futsal da Atlética, em um episódio, literalmente escroto, ganhou destaque.
Embora o fato tenha ocorrido em abril deste ano, durante os jogos CaloMed, somente no último domingo, 18/09, ganhou repercussão — o que já diz muito sobre o caso.
Vale lembrar que não é de hoje que universitários, em especial de medicina, envolvem-se em casos bastante reprováveis e nada louváveis, contrários ao que a profissão sugere e deveria cobrar daqueles que a pretendem exercer.
Não precisamos ir muito longe em nossas memórias para lembramos dos inúmeros casos de profissionais, que formados nestes ambientes, envolveram-se em práticas criminosas, de caráter sexual.
Não se trata, aqui, de forma alguma, de generalizar a categoria, haja vista que, arrisco dizer, não há nenhuma classe, poder ou instituição, quer seja civil, militar, pública, privada ou religiosa, que esteja isenta deste mesmo pecado e que possa atirar a primeira pedra.
Trata-se, sim, de algo extremamente representativo de uma sociedade machista, misógina e patriarcal, capaz de, por exemplo, preocupar-se com o fato, aqui abordado, apenas porque este ganhou notoriedade. Caso contrário, seria somente mais uma “brincadeira” universitária.
Também, não pretendo julgar o ato da masturbação, tão recoberto de tabus, fazendo deste o problema. Não, absolutamente, não.
Diversos estudos indicam que a masturbação é saudável e compõe parte fundamental na preservação da espécie. Aliás, sobre isso, o IFLScience, site científico, baseado no Reino Unido e parte do LabX Media Group, uma corporação com sede no Canadá, publicou, recente, estudo sobre o assunto e suas origens.
O artigo publicado pela IFLScience, divulgado em junho deste ano, foi elaborado pela College de Londres (UCL), UK, que reuniu 246 trabalhos acadêmicos publicados e 150 questionários de primatologistas e funcionários de zoológicos, analisando o comportamento de nossos “primos” macacos — dos quais não somos descendentes, é claro.
Estudos apontam que a prática remonta a mais de 40 milhões de anos e serviu à preservação de várias espécies de primatas.
Dentre as hipóteses, o ato sem ejaculação poderia servir como preparação prévia à cópula, realizada por machos mais frágeis, incapazes de competir com outros mais bem preparados.
Outra hipótese, aponta que a masturbação com ejaculação seria uma forma de eliminar espermatozoides envelhecidos e prevenir infecções genitais.
Ainda que sejam observadas masturbações entre as fêmeas primatas, não houve conclusão clara, dada a dificuldade de observação nesta população.
De volta à deprimente exibição dos desqualificados estudantes da UNISA e pretensos discípulos de Hipócrates é patente dizer que não possuem o mínimo pudor, não sabem viver em sociedade organizada, não respeitam qualquer legislação, a exemplo do artigo 233 do Código Penal, — para começar — e seriam incapazes de repetir o juramento de sua classe profissional, sem o mentir ou dissimularem, o que em certo ponto de vista os compara a seus primos distantes.
Ainda que tardiamente, mas não tão tarde, o caso deverá ser objeto de outras punições, além da já imposta expulsão dos primatas, digo “homens”, daquele grupo, cujo comportamento selvagem não pode ficar impune.