EUA pressionam por maior controle sobre o programa nuclear iraniano enquanto Teerã acelera o enriquecimento de urânio, aumentando tensões globais
A proposta de um novo acordo nuclear entre Irã e Estados Unidos reacende as tensões geopolíticas e coloca em evidência o controle sobre o programa nuclear iraniano. O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, declarou que o país responderia reciprocamente caso Washington seguisse com a ameaça feita pelo presidente americano Donald Trump de bombardear Teerã caso um novo pacto não fosse firmado. A iniciativa atual busca um maior controle americano sobre as atividades nucleares iranianas, enquanto uma carta enviada por Trump ao líder iraniano no início do mês formalizou o pedido de negociações.
As tratativas sobre o tema ganharam força após um memorando assinado por Trump em fevereiro, proibindo o Irã de possuir armas nucleares e sinalizando o interesse em um novo entendimento. Essa não seria a primeira vez que o governo iraniano firma um acordo desse tipo. Em 2015, foi estabelecido o Plano de Ação Integral Conjunto (JCPOA), no qual Teerã se comprometeu a reduzir seu programa nuclear e permitir inspeções internacionais em troca do alívio de sanções econômicas. O pacto visava conter a proliferação nuclear no Oriente Médio e reduzir conflitos regionais, mas sua estabilidade foi comprometida com a retirada dos EUA em 2018.
A saída americana do JCPOA e ataques a autoridades iranianas levaram Teerã a retomar seu enriquecimento de urânio, o que gerou preocupação internacional. Em 2023, inspetores da ONU identificaram que o Irã havia enriquecido urânio a níveis próximos aos necessários para a produção de armas, elevando as tensões com potências ocidentais. O presidente Joe Biden chegou a afirmar que os EUA retornariam ao acordo se o Irã voltasse a cumprir suas obrigações, mas negociações intermitentes não chegaram a um consenso.
O avanço do programa nuclear iraniano se intensificou no início do ano, quando o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, alertou que o país estava acelerando o enriquecimento de urânio para até 60% de pureza, um patamar próximo ao necessário para a fabricação de armamentos. As potências ocidentais classificaram a medida como uma escalada perigosa, apontando que não há justificativa civil para esse nível de enriquecimento. Em resposta, o Irã reiterou que seu programa tem fins pacíficos e que possui o direito de enriquecer urânio em qualquer grau.
Dados da AIEA indicam que Teerã possui aproximadamente 200 kg de urânio enriquecido a até 60%, um volume significativo que, se enriquecido ainda mais, poderia ser suficiente para a produção de uma bomba nuclear. Embora a instalação e operação de centrífugas extras leve tempo, especialistas alertam que a aceleração já está em curso, aumentando a pressão sobre a diplomacia internacional na tentativa de evitar um novo impasse nuclear.