Brasil pode receber certificação internacional por eliminação da transmissão vertical do HIV

O Brasil pode se tornar o próximo país a receber a certificação internacional de eliminação da transmissão vertical do HIV, após registrar resultados históricos em 2023 e 2024. Segundo dados divulgados nesta terça-feira (3), a taxa de transmissão vertical foi inferior a 2%, enquanto a incidência de HIV em crianças ficou abaixo de 0,5 caso por mil nascidos vivos.

Os números constam no relatório entregue pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), durante a abertura do XV Congresso da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis, no Rio de Janeiro.

“Nunca imaginei que chegaríamos a um momento como este, em que o Brasil entrega a documentação para a certificação da eliminação da transmissão vertical do HIV”, destacou Padilha.

SUS, testagem e políticas públicas: chaves da conquista

A conquista é atribuída ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), à ampla testagem de gestantes e ao tratamento universal oferecido a todas as pessoas vivendo com HIV. Nos últimos dois anos, o país ultrapassou 95% de cobertura de:

  • Consultas de pré-natal;
  • Testagem de HIV em gestantes;
  • Tratamento das gestantes com diagnóstico positivo.

O Brasil ainda distribui gratuitamente a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), que chegou a 184.619 usuários em 2025, reforçando as estratégias de prevenção. Outra inovação foi a distribuição dos testes rápidos duo, que detectam simultaneamente HIV e sífilis no pré-natal.

Certificação nacional e subnacional

O Brasil também adaptou o modelo internacional da Opas/OMS para a certificação de estados e municípios. Até o momento, 151 municípios e 7 estados já obtiveram 228 certificações, sendo 139 delas ligadas ao HIV. Entre os estados certificados estão São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Distrito Federal.

A meta nacional é a eliminação da transmissão vertical do HIV, sífilis, hepatite B, doença de Chagas e HTLV até 2030.

Programa “Agora Tem Especialistas” combate filas no SUS

Ainda no Rio de Janeiro, o ministro Padilha visitou instituições públicas de saúde que já participam do programa Agora Tem Especialistas, como o Centro de Inteligência em Saúde, o Rio Imagem e o Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer.

Segundo o ministro, o programa visa reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias, integrando dados e otimizando recursos em parceria com governos estaduais e a rede privada.

“É assim que vamos garantir um SUS mais ágil, eficiente e humano para todos”, afirmou Padilha.

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