Psicóloga, Nathália Lisiê, alerta que férias escolares sem rotina e com excesso de telas podem afetar o desenvolvimento infantil

Nathália Lisiê Pozzuto Borelli explica como transformar o tempo livre em oportunidade de conexão, aprendizado e equilíbrio emocional

Durante as férias escolares, muitos pais enfrentam o desafio de preencher o tempo livre dos filhos de forma saudável, longe dos excessos digitais e com qualidade emocional. A psicóloga Nathália Borelli responde a perguntas sobre como lidar com o tédio, propor atividades criativas e manter o equilíbrio familiar mesmo em meio à rotina atribulada.

1. Quais os principais riscos do uso excessivo de eletrônicos durante as férias?
Passar muito tempo em telas pode impactar o desenvolvimento emocional e social das crianças, gerando ansiedade, prejudicando o sono, afetando a coordenação motora e dificultando a socialização. Cada criança reage de forma diferente, mas é fundamental que os responsáveis fiquem atentos ao tempo e às possíveis mudanças comportamentais.

2. É importante manter rotina durante as férias?
Sim. Mesmo sem as obrigações escolares, uma rotina flexível ajuda a manter a organização e o equilíbrio da criança. Inserir tarefas domésticas apropriadas à idade, momentos de lazer e permitir que a criança participe da construção dessa rotina é uma forma de promover autonomia, responsabilidade e conexão familiar.

3. Como incentivar atividades longe das telas dentro de casa?
Participar das brincadeiras é uma forma eficaz. Cozinhar juntos, montar cabaninhas ou jogar tabuleiro são exemplos simples e envolventes. Também vale estimular o contato com outras crianças, o que favorece a socialização e reduz a dependência de dispositivos eletrônicos.

4. Existe uma quantidade ideal de tempo de tela por idade?
Sim. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda: até 2 anos, nada de telas; de 2 a 5 anos, no máximo uma hora por dia; de 6 a 10 anos, até duas horas; e de 11 a 18 anos, até três horas diárias.

5. Quais brincadeiras podem substituir o tempo de tela?
O ideal é observar o que a criança gosta e oferecer atividades prazerosas. Massinha, contação de histórias e brincadeiras tradicionais são boas opções. O mais importante é engajá-las em experiências fora das telas.

6. O que fazer quando a criança diz que está entediada?
O tédio pode ser positivo, pois estimula a criatividade, a paciência e a autonomia. Oferecer materiais como lápis, papel, tinta e sugerir ambientes abertos pode incentivar a imaginação e o protagonismo infantil.

7. Como garantir férias saudáveis para os filhos mesmo quando os pais trabalham fora?
Cada família tem uma dinâmica. Uma alternativa é incluir os filhos em atividades externas, propor encontros com amigos e reservar um tempo de qualidade ao final do dia. O mais importante é respeitar os limites reais da família e encontrar estratégias viáveis dentro dessa realidade.

8. E quando a convivência intensa gera conflitos?
Conflitos podem ser transformados em oportunidades de fortalecimento dos laços. Promover diálogos, permitir que todos expressem sentimentos e percepções ajuda a construir vínculos mais saudáveis e empáticos.

9. Qual o papel da natureza nas férias escolares?
O contato com o meio ambiente favorece o desenvolvimento físico, emocional e social. Estimula criatividade, laços sociais, consciência ambiental e autonomia. Mesmo em tempos de insegurança, é possível encontrar espaços seguros e supervisionados para proporcionar essa vivência.

10. Que mensagem você deixaria aos pais que sentem culpa por não conseguirem planejar férias “perfeitas”?
A ideia de férias “perfeitas” varia muito de família para família. O mais importante é envolver as crianças ou adolescentes no planejamento, para que se sintam participantes e se interessem pelas atividades. O que realmente importa é que se sintam vistos, ouvidos e acolhidos. Estar presente, mesmo que por pequenos momentos, é mais valioso para a saúde mental deles do que uma agenda cheia ou idealizada.

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