A escrita para um mundo melhor

📕 Neste 25 de julho, Dia do Escritor, João Vieira conta que vê a atividade literária como contribuição para um mundo melhor

Por Bruno Marques

Pela ocasião do Dia do Escritor, celebrado neste dia 25 de julho, o Jornal Terceira Visão entrevistou seu colunista, João Vieira, para apresentar um pouco de sua história e se trabalho.

📚 Apresentação

O meu nome completo é João Paulo Rodrigues Vieira e estou com 58 anos.
Em relação à minha profissão, a resposta é um pouco mais complexa. Sou bacharel em Administração e tenho MBA em finanças. Fui bancário por mais de 37 anos e foi assim que eu me aposentei em setembro de 2019, quando deixei de exercer aquela profissão.
Eu havia decidido que retornaria ao mercado financeiro após um ano de descanso, mas veio a pandemia e a vida tomou outros rumos. Foi um período de muitas reflexões sobre a vida, suas incertezas e fragilidades.
Em 2021, o mundo ainda buscava se reequilibrar — se é que posso dizer isso —, e foi quando me tornei avô. A dura experiência da pandemia e a chegada do meu neto me fizeram buscar na escrita um lugar de fortalecimento pessoal, de reconexão interior.
O que era para ser apenas algo terapêutico, tomou corpo, ganhou força e resultou em meu primeiro livro. Então, hoje, quando alguém me pergunta qual a minha profissão eu respondo: escritor, pois é como me sinto.

📚 Qual seu local de nascimento e há quanto tempo mora em Valinhos?

Eu nasci em Vinhedo, mas nunca morei lá. Vivi em Campinas, tendo crescido e morado em Sousas até os meus 21, quando me casei em 1988. Então minha esposa e eu fomos morar no Jardim Miranda, depois na Vila Industrial e no Bonfim. Em 2007, por conta do meu trabalho, fomos morar um tempo em Mogi Mirim e após um ano e meio voltamos a residir em Campinas, no bairro do Flamboyant.
A nossa mudança para Valinhos se deu em 2013, na busca de melhor qualidade de vida. Viver aqui tem sido ótimo.

📚 Quando começou a se interessar por escrita?

Eu penso que desde muito cedo, ao descobrir as letras, palavras, frases. As primeiras letras me chegaram através da TV e do antigo Vila Sésamo, que assistia sentado no chão, enquanto eu via a minha mãe lavar a louça, passar a roupa, cuidar da casa. Aliás, ela sempre me ajudou com as letras, e palavras e as histórias que elas podem contar quando bem juntadas. Eu sempre gostei muito dos ditados em sala de aula e de quando o professor pedia uma redação, principalmente quando o tema era livre e eu podia soltar a imaginação.
Eu sei que a pergunta feita se refere mais à escrita voltada à literatura, mas eu vejo que o meu resultado literário é fruto daquele processo que se iniciou ainda nos primeiros anos de vida com a descoberta da linguagem que é fascinante. Aprender o significado das coisas, depois as letras, palavras, frases e como isso tudo pode ser usado para representar o mundo do real e do imaginário é mágico. Escrever é mágico.

📚 Quais foram e quais são suas principais influências literárias (obras e autores)?

Acho que minha primeira influência literária veio pela ficção científica do escritor estadunidense Ray Bradbury, com “O Homem Ilustrado”, que me foi apresentado por um professor de Geografia. Depois li “As Crônicas Marcianas” do mesmo autor, que também achei fantástico e mais à frente o espetacular “Fahrenheit 451”.
Gosto demais da literatura de José Saramago; de Chico Buarque (em especial “Estorvo”, seu primeiro romance, e que me impactou profundamente); Gabriel García Márquez; Kafka e Valter Hugo Mãe (aproveitando a proximidade do dia dos pais, leiam “O filho de mil homens”). Eu poderia citar vários outros autores, afinal toda leitura é capaz de exercer alguma influência.

📚 Quais seus gêneros literários preferidos e os que costuma atuar?

Eu não tenho um gênero literário preferido. Se a escrita é boa, ela me interessa e busco conhecer.
Meu livro de estreia, por exemplo, foi de contos. Na época eu entendi que a narrativa curta seria uma boa forma de me lançar na literatura. Confesso que achei que seria mais fácil do que escrever um romance, ou um livro de crônicas, mas isso foi um grande engano meu. Cada gênero literário carrega desafios muito específicos e nenhum deles é simples.
Aqui no JTV, ora escrevo artigos, ora crônicas e até pequenos contos. A escolha depende do tema a ser tratado e de como eu acredito ser mais fácil de passar aos leitores a mensagem que pretendo transmitir.

📚 Quais obras já publicou, quando e onde podem ser encontradas?

Minha primeira experiência literária foi um conto publicado numa antologia (Levidão) de uma editora com sede em Portugal, mas a coletânea não está mais em catálogo. Tive também um conto publicado pela revista literária Autorretratos, em janeiro de 2024, com tiragem impressa e digital, e que pode ser baixado gratuitamente através de um link em minha bio, no Instagram @joãopaulo_vieira .
A versão física de meu livro “Contos em realidade aumentada”, Giostri Editora, 2022/2023, pode ser encontrada em várias livrarias e na Amazon. Para quem gosta, a versão digital pode ser adquirida pela plataforma Google Books ou no site da própria editora.

📚 Você possui premiações como escritor? Se sim, quais?

Em 2023, a Giostri selecionou meu livro para concorrer ao Jabuti, o que foi uma surpresa. Entretanto eu sabia que não havia chances de chegar à final, mas que aquilo era uma boa forma de divulgar o meu trabalho no meio literário.
Prêmios são ótimos, mas não é o que me leva a escrever. Escrevo porque gosto, porque me faz bem, depois por um senso de responsabilidade e de cidadania, que entendo ser um dever de quem escreve: contribuir para um mundo melhor.

📚 Para você, qual o principal poder da escrita e, consequentemente, qual o papel do escritor?

Na resposta anterior, eu disse “contribuir para um mundo melhor”, mas dito assim pode soar vago. Então eu quero dizer que vejo o papel do escritor como um formador do pensamento crítico. Alguém que contribui, não para levar certezas a ninguém, mas para promover a reflexão sobre a vida, nossa existência, o mundo e tudo o que nos cerca.
O escritor deve ter como missão fundamental a de apresentar ferramentas de compreensão aos seus leitores, para que estes possam fazer suas próprias escolhas de forma mais consciente.

📚 Cite 3 obras e/ou escritores que você considera essenciais para que se conheça.

Só três?! Tenho buscado conhecer com mais dedicação os contemporâneos e cito Airton Souza (Outono de carne estranha), Bruno Inácio (De repente nenhum som), Fernando Molica (Elefantes no céu de Piedade), Jeferson Tenório (O avesso da pele), e Conceição Evaristo (Olhos D´água).

📚 Quais seus próximos objetivos como escritor?

Em primeiro lugar, seguir colaborando com minha coluna aqui no JTV, que me traz imensa satisfação e vai ao encontro do que falamos sobre a responsabilidade que o escritor tem como cidadão.
Além disso, recentemente, eu finalizei a escrita de meu primeiro romance, que está em fase de revisão e leitura crítica.
O original já foi encaminhado para algumas poucas editoras, as quais eu acredito que possuem uma linha editorial compatível com a história que escrevi e espero que possa ser acolhida por alguma delas, mas sei que é uma questão complexa. Desejo que o meu novo livro seja lançado até o final deste ano, com ou sem editora, e tenho trabalhado nisso.

Leia anterior

Saiba quais cuidados simples ajudam a controlar os sintomas da rinite alérgica

Leia a seguir

Projeto “Raquete para Todos” premia 28 alunos com jantar no restaurante Marguttina