

O que começou como um grupo de WhatsApp para organizar camisetas de um evento, hoje se tornou uma força em defesa das crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em Valinhos. Criado no início de 2024 por duas mães atípicas, o grupo surgiu durante a preparação da primeira Caminhada pela Conscientização do Autismo na cidade, que reuniu cerca de 500 pessoas. A ideia era apenas facilitar a organização, mas rapidamente o grupo se transformou em uma rede de apoio, onde mães passaram a compartilhar suas dores, lutas, informações e conquistas.
Em 2025, o movimento ganhou mais força com a realização da segunda caminhada, maior e mais estruturada. A partir dessa vivência, veio a percepção de uma realidade preocupante: muitas crianças aguardam há anos por diagnóstico ou tratamento adequado, dependendo exclusivamente do SUS. Enquanto algumas famílias conseguem oferecer acompanhamento particular desde cedo, outras enfrentam longas filas e falta de orientação.
Entre as principais conquistas do grupo está a criação de um canal de triagem e agendamento de consultas e avaliações pelo SUS. O processo envolveu reuniões com a Secretaria da Saúde, entrega de documentos com dados e relatos de mães, além da sugestão de um fluxo organizado. O objetivo é oferecer um ponto de partida para famílias, com formulários acessíveis que atendem tanto crianças com diagnóstico quanto aquelas em processo de investigação.
Apesar do avanço, os desafios seguem enormes. O grupo aponta que a estrutura atual do município é insuficiente para atender a real demanda de pessoas com TEA. Salários abaixo do mercado dificultam a contratação de profissionais como fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais por instituições parceiras, como APAE e ACESA. O único modelo considerado efetivo é o do CAV, que possui contrato com remuneração compatível.
No campo político, o grupo foi recebido pelo prefeito em abril, mas o diálogo direto não avançou. Já com a Secretaria da Saúde, as mães conseguiram estabelecer uma ponte. Em junho, foram abertas 15 vagas de atendimento, cinco na ACESA e dez na APAE.
Na última semana, o grupo teve uma reunião com a deputada estadual Andrea Werner, também mãe de autista e ativista da causa. O encontro trouxe um novo impulso: a sugestão de formalizar o grupo como associação. A proposta foi abraçada, e assim nasceu oficialmente a @ConexãoAtípicaValinhos, entidade fundada pelas mesmas mães que estiveram juntas desde a primeira caminhada.