“A infância não pode ser roubada”: advogada alerta para riscos e crimes da adultização precoce

Advogada e conselheira tutelar de Valinhos alerta que a “brincadeira inocente” nas redes sociais pode se transformar em exploração infantil e colocar menores em grave risco.

Dra. Ana Paula Spadacci fala sobre impactos psicológicos, responsabilidade dos pais e necessidade de leis mais rígidas para proteger crianças da exposição nas redes

A adultização precoce é um fenômeno social “extremamente preocupante”, no qual crianças e adolescentes são pressionados a adotar padrões estéticos, de comportamento e responsabilidade típicos do mundo adulto. Para a advogada e conselheira tutelar de Valinhos, Dra. Ana Paula Spadacci, essa prática “viola o princípio da proteção integral” previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e causa impactos profundos na vida dos menores. “A criança pula etapas cruciais de desenvolvimento, o que afeta sua autoestima, suas relações sociais e até sua saúde mental”, afirma.

Segundo ela, as redes sociais ampliaram exponencialmente a gravidade e a velocidade do problema. “A internet é um ambiente contínuo e sem filtros, onde qualquer tipo de conteúdo está disponível ininterruptamente. Isso torna o espaço perigoso para as crianças, pois a moderação não acompanha o ritmo de produção.” A advogada cita que mais de 30 projetos de lei tramitam no Congresso para obrigar plataformas a adotar medidas mais rigorosas, criminalizar a adultização e responsabilizar pais pela exposição indevida dos filhos.

A linha que separa uso inofensivo da imagem e exploração infantil é, para Ana Paula, “muito tênue”. Ela alerta: “Quando o interesse financeiro dos pais se sobrepõe ao bem-estar da criança, estamos diante de exploração. A infância não é um produto.” A rotina exaustiva de gravações, participação em lives e interação com marcas pode configurar trabalho infantil artístico, permitido apenas com autorização judicial e sob condições restritas.

Para prevenir, a advogada defende mudanças urgentes na atuação das plataformas: “A moderação não pode depender só de denúncias. Com a tecnologia que temos, é possível identificar e remover conteúdos prejudiciais antes que viralizem.” Ela lembra que famílias, escolas e sociedade precisam agir juntas: “Não se trata de uma brincadeira inocente. O que acontece no mundo virtual tem consequências muito reais. Quando vemos algo errado, denunciar é nossa obrigação — a omissão também é uma forma de negligência.”

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