A ordem de despejo de uma família que mantém 104 gatos em uma casa alugada em Valinhos ganhou contornos de problema de saúde pública e mobiliza autoridades e entidades em busca de uma solução.

O motorista de aplicativo responsável pelos animais, enfrenta dificuldades para alugar outro imóvel após ser acionado judicialmente pelo atraso de cinco meses de aluguel, que chega a R$ 5 mil mensais. Sem alternativa, o destino dos gatos preocupa a cidade e levou o Ministério Público (MP) a cobrar da Prefeitura medidas para evitar que os felinos sejam abandonados.
O motorista conta que resgata animais há 28 anos e que, ao longo desse tempo, acumulou os 104 gatos com recursos próprios e doações pontuais. A situação financeira se agravou após a mãe sofrer dois AVCs, em 2020 e 2021, exigindo tratamentos não cobertos pelo SUS. Para custear despesas, ele vendeu bens, incluindo o carro de trabalho. Com a perda da mãe em 2021 e dificuldades para manter veículo fixo até julho deste ano, o atraso no aluguel se tornou inevitável.
Hoje, Ricardo e a esposa não moram mais no imóvel, mas continuam cuidando dos animais, o que intensificou a disputa judicial. A Prefeitura de Valinhos, por meio do Departamento de Proteção e Bem-Estar Animal (DPBEA), informou que já opera no limite, com 34 cães e 23 gatos acolhidos. O espaço disponível comporta apenas dez felinos, número muito abaixo da necessidade.
Segundo o DPBEA, seria preciso cerca de 15 sacos de ração por mês, além de castrações e tratamento veterinário, incluindo casos de imunodeficiência felina (FIV) e leucemia felina (FeLV), que exigiriam isolamento.
O MP ingressou com ação pedindo que a Prefeitura encontre local para os animais. O município afirma buscar parcerias com cidades vizinhas e ONGs, mas todas relataram superlotação. A administração reforçou que não dispõe de auxílio financeiro para casos como o de Ricardo, classificado como acumulador de animais, e que busca alternativas viáveis e responsáveis para a realocação dos gatos.