Operação Alquimia investiga desvio de metanol para bebidas adulteradas e realiza apreensões em Limeira e Sumaré

A Receita Federal, em parceria com diversos órgãos de fiscalização, deflagrou nesta quinta-feira (15) a Operação Alquimia, que tem como foco investigar o uso irregular de metanol na produção de bebidas alcoólicas adulteradas. A ação é um desdobramento das operações Boyle e Carbono Oculto, que já haviam revelado o uso indevido da substância em combustíveis.

Desta vez, a investigação busca identificar o caminho do metanol, um produto altamente tóxico, desde sua importação até o possível desvio para a fabricação clandestina de bebidas.

Na Região Metropolitana de Campinas, Limeira e Sumaré foram alvos diretos da operação. Agentes da Receita Federal realizaram fiscalizações em empresas ligadas à cadeia produtiva do metanol, incluindo distribuidoras, destilarias e usinas. Durante as ações, foram coletadas amostras e documentos que devem ajudar a rastrear o percurso da substância e possíveis fraudes.

Segundo os investigadores, há indícios de que empresas químicas tenham adquirido metanol legalmente, mas o repassado a empresas de fachada, que, por sua vez, desviavam o produto para o uso ilegal. Em alguns casos, notas fiscais apresentavam motoristas e caminhões inexistentes, apontando para esquemas de falsificação documental.

Os resultados das análises químicas devem confirmar se o metanol encontrado em bebidas falsificadas corresponde aos lotes identificados nas empresas investigadas. A substância, embora utilizada legalmente como aditivo em combustíveis, é altamente tóxica quando ingerida, podendo causar intoxicações graves e até morte.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) determina que o teor de metanol em bebidas alcoólicas não ultrapasse 0,1%, enquanto nos combustíveis o limite permitido é de até 0,5% — quantidade já perigosa à saúde humana.

Além da Receita Federal, participam da operação a Polícia Federal, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e o Ministério da Agricultura. No total, 24 empresas foram fiscalizadas em cinco estados: São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

De acordo com o Fórum Nacional Contra a Pirataria, o setor de bebidas alcoólicas perde mais de R$ 85 bilhões por ano devido a práticas ilegais como falsificação, contrabando e produção clandestina.

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