

Olá, leitores!
Em 2020, tive o privilégio de visitar um antigo pavilhão de caça localizado em Versalhes, na França. A rústica construção, projetada pelo arquiteto Nicolas Huaut em 1623, teve por objetivo levar um pouquinho de conforto ao rei Luís XIII, que sofria de um terrível mal: agorafobia — o medo mórbido de se achar só em um espaço livre e descoberto ou de atravessar lugares públicos (Michaelis). O “pequeno e rústico” lugar ficou conhecido como “le chétif château” (o frágil castelo): uma “modesta” construção com dois andares e alguns quartos, toda cercada por fossos e vários jardins em terraços.
Com a morte de Luís XIII, em 1643, o “débil” castelo deixou de ser utilizado como residência real, até que, em 1660, o sucessor do trono, Luís XIV, decidiu que o lugar deveria ser reformado, pois ele não conseguia uma residência adequada em Paris. — estava muito difícil para ele encontrar uma morada que o agradasse. Não é nada simples achar um bom lugar para se viver.
Com o tempo, após inúmeras campanhas de reforma, o lugar melhorou um pouco e, embora siga bastante simples, é mais conhecido como o Palácio de Versalhes.
Foi lá que conheci a tão falada “Galeria dos Espelhos”: um pequeno corredor com 73 metros de comprimento, 12,3 metros de altura e 10,5 metros de largura, que liga o Salão da Guerra, ao norte, com o Salão da Paz, ao sul, representando tanto o poder bélico de Luís XIV quanto seu lado pacifista — ideia bastante atual, por sinal.
Esse corredorzinho possui 17 janelas com vista para os jardins e igual número de arcadas alinhadas aos 357 espelhos, que ampliam a luz natural do ambiente e até o tornam um tiquinho majestoso.
Eu, sinceramente, vejo na humildade uma das maiores virtudes, em especial quando percebida naqueles que foram escolhidos pelo destino para reinar sobre os menos capazes, assim como ficou claro nos exemplos de Luís XIII e seu herdeiro, Luís XIV.
Por isso, ao ver as recentes e maliciosas matérias que andam circulando em torno da reforma iniciada na Casa Branca, a pedido do presidente daquela nação, só posso imaginar que se trata de desdém.
Já estava mais do que na hora de reformar aquela simples residência, e nada melhor do que aproveitar a ocasião para fazer um puxadinho de pouco mais de 8.300 metros quadrados, ao custo de aproximados US$ 200 milhões de dólares.
Também não entendi a crítica sobre o projeto ter destruído grande parte da casa para o início das obras — reforma é assim mesmo, ué! Quem nunca?
Ah, só porque o salãozinho dourado de baile vai ser uns 3.000 metros quadrados maior do que a própria Casa Branca, não é motivo para se criticar o projeto. Quem não gosta de um bailezinho, né?!
É impressionante como a História não ensina nada!
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