O Anonimato e a Máscara Digital

Como as redes sociais tornaram o esconderijo da mentira um campo fértil de desinformação.

                Era uma vez, em um tempo não muito distante, onde o anonimato era o escudo dos “heróis” solitários. Aquele capuz que protegia os incognoscíveis, as figuras misteriosas que, de longe, travavam batalhas com palavras afiadas, mas sem medo de encarar as consequências. Mas será que essa capa invisível ainda deveria ter lugar no mundo moderno, onde as redes sociais tomaram o controle da economia, da política e até dos nossos jantares?

                Parece até que, se Arthur Schopenhauer estivesse vivo hoje, estaria dando uma bela bronca nas redes sociais. O filósofo alemão, que não tinha papas na língua, adorava atacar o anonimato, especialmente quando ele protegia os “heróis” das críticas literárias e do jornalismo fajuto. Em 1850, Schopenhauer escreveu que “o anonimato é o escudo dos medíocres”, os mesmos que escondem suas palavras e intenções no conforto de uma identidade invisível. Pois é, se ele visse o que acontece nas timelines hoje em dia, teria, provavelmente, um surto de revolta.

                O anonimato digital virou um verdadeiro campo fértil para a desinformação. E, se antes o mundo digital era um território de liberdade irrestrita, agora virou um lugar onde pessoas podem se esconder atrás de perfis falsos, lançar fake news e até destruir reputações sem dar a cara a tapa. E onde está a responsabilidade nesse meio todo? Ah, isso mesmo, ninguém tem que se responsabilizar por nada. Afinal, quem é que vai dar a cara a tapa quando está sob o manto do “não sei de nada”?

                Lá atrás, a jogada do governo Collor, de proibir cheques ao portador, parece quase um prenúncio de como as coisas deveriam ser no âmbito digital. Se o sistema financeiro se tornou mais transparente e menos suscetível a manipulações, por que as redes sociais ainda deveriam aceitar esse disfarce? Afinal, por mais que sejamos a favor da liberdade de expressão, ninguém deveria ter a liberdade de espalhar mentiras ou destruir reputações sem ao menos se dar o trabalho de mostrar quem é.

                Schopenhauer, na sua sabedoria intempestiva, falava sobre a importância de “assumir o que se diz”. É claro que ele falava de tempos em que os jornais ainda eram poderosos, mas não parece um conceito bem aplicável aos tempos de hoje? Exigir que as plataformas identifiquem quem espalha mentiras, e que as responsabilizem por isso, não é cercear a liberdade, é, na verdade, um grito pela preservação da honestidade nas conversas. E sejamos sinceros, quem não gostaria de ver o nome e a cara daqueles que espalham mentiras e causam estragos, não?

                O anonimato, sem dúvida, se tornou a moeda corrente do mundo digital, sendo usado como um disfarce conveniente para aqueles que desejam espalhar informações falsas sem se expor ou assumir responsabilidades por suas palavras. E enquanto não tomarmos as rédeas desse cavalo selvagem, o anonimato continuará a ser a máscara por trás da qual se escondem os maiores vilões da história contemporânea: os mentirosos e os difamadores digitais.

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