

O esporte nasceu para unir. No entanto, em Valinhos, o que deveria ser uma noite de celebração, saúde e espírito esportivo terminou em confusão e tensão. A briga durante a partida entre “Nem Tenta Futsal” e “Audax Futsal”, no Ginásio da Vila Santana, na última terça-feira (11), manchou o que o futsal tem de mais bonito: a paixão coletiva.
Não é de hoje que o futebol e suas versões de quadra têm sido palco de episódios lamentáveis. Das torcidas organizadas nos grandes estádios às quadras municipais, o problema é o mesmo — a incapacidade de transformar rivalidade em respeito. Em 1995, o confronto entre torcedores do Palmeiras e São Paulo no Pacaembu terminou em tragédia. Décadas se passaram e a história segue se repetindo em diferentes escalas. O que vimos em Valinhos é reflexo de uma cultura que ainda confunde competição com inimizade.
Mais recentemente, em 2023, o país assistiu com perplexidade à violenta briga entre torcedores do Coritiba e Cruzeiro, que interrompeu a partida e transformou o estádio Couto Pereira, em Curitiba, em um campo de guerra. Famílias precisaram se abrigar no gramado para escapar da confusão. Imagens como essas — que ganham as telas e as redes sociais — reforçam o quanto o futebol brasileiro ainda precisa evoluir fora das quatro linhas. O esporte que deveria representar alegria e convivência se vê, muitas vezes, refém de impulsos que negam o próprio espírito esportivo.
Como escreveu Nelson Rodrigues, “sem o futebol, a vida seria um erro”. Mas o dramaturgo também lembrava que o futebol é metáfora da própria sociedade — com suas paixões, excessos e contradições. Quando a violência ocupa o lugar do jogo, todos perdem: atletas, torcedores, famílias e a própria cidade.
É preciso repensar o papel de cada um dentro e fora da quadra. Jogadores devem ser exemplo de controle e espírito coletivo. A torcida, de incentivo e empatia. E o poder público, de vigilância e prevenção. Não há campeonato que valha uma agressão, nem rivalidade que justifique o medo.
Como canta Milton Nascimento em “Nos bailes da vida”, “todo artista tem de ir aonde o povo está” — mas que seja para emocionar, nunca para ferir. O esporte precisa voltar a ser arte, encontro e superação. Que o futsal de Valinhos, tão vibrante e popular, reencontre esse caminho. O verdadeiro gol é o do respeito.
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