

No Dia da Consciência Negra, Vinhedo celebra a trajetória de Thalita Souza dos Santos Ferreira, 40 anos, que recebeu da Câmara Municipal uma homenagem pelo trabalho de resgate e valorização da cultura afrodescendente por meio do projeto “O Legado. Resgatando a História do Samba”.
A história de Thalita se entrelaça com o Samba de Roda da Dona Aurora, tradição que remonta à década de 1940 e que, segundo relatos, chegou à família por meio de sua bisavó – guardiã de ensinamentos que sobreviveram apesar do apagamento histórico. Mesmo sem ligação sanguínea com Dona Aurora, Thalita cresceu ouvindo histórias e acompanhando o grupo em apresentações, inclusive em Pirapora, onde deu seus primeiros passos como cantora de samba de roda.
Com o tempo, porém, ela percebeu um contraste: enquanto o samba de Vinhedo era reconhecido em diversas cidades do Estado de São Paulo e, desde 2015, considerado Patrimônio Imaterial do Estado e também patrimônio pelo Iphan, dentro da própria cidade o movimento ainda carecia de valorização.
A virada aconteceu em 2023, após o falecimento de sua mãe, quando Thalita decidiu aprofundar suas pesquisas e sua atuação. Em parceria com a Prefeitura, o grupo retomou a organização da Festa do Samba, prevista para o ciclo 2024-2025. O projeto também foi contemplado pela Lei Aldir Blanc, transformando o samba local em ponto de cultura.
Ao lado da professora Luciana, Thalita levou a história do samba para escolas da rede municipal, adaptando o conteúdo para crianças da Educação Infantil e do Fundamental, garantindo que as futuras gerações compreendam e preservem essa parte essencial da identidade vinhedense.
Para Thalita, a homenagem representa mais que um reconhecimento pessoal: “Foi em meu nome, mas essa honraria é do samba, de todos que caminham comigo. É um gás para continuar e para que nossa história nunca seja apagada. ”