

O papamóvel utilizado pelo falecido papa Francisco durante sua visita à Terra Santa em 2014 foi reapresentado nesta terça-feira (25) como uma clínica móvel infantil destinada à Faixa de Gaza. A adaptação atende ao desejo expresso pelo pontífice antes de sua morte, em abril, aos 88 anos.
Rebatizado como “Veículo da Esperança”, o Mitsubishi recebeu bênção do cardeal Anders Arborelius, bispo de Estocolmo, em cerimônia realizada em Belém, na Cisjordânia ocupada, perto da Igreja da Natividade e da Praça da Manjedoura. O veículo, ainda reconhecível como papamóvel por sua cor branca e cobertura elevada, foi equipado para oferecer atendimento pediátrico, incluindo exames, diagnósticos, vacinas, suturas e testes de infecção. A previsão é de que realize até 200 consultas por dia.
Apesar de estar pronto para operar, ainda não há autorização de Israel para a entrada da clínica móvel em Gaza, território cuja infraestrutura de saúde foi devastada após dois anos de guerra. A Caritas, responsável pela transformação do veículo ao custo de US$ 15 mil (R$ 619 mil), informou que trabalha pelos canais oficiais para liberar o acesso o mais rápido possível.
O papamóvel foi usado por Francisco em sua segunda viagem internacional como líder da Igreja Católica, quando visitou Amã, Belém e Jerusalém em maio de 2014. Ele havia sido um presente do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, e posteriormente entregue aos frades franciscanos. O último desejo do pontífice para as crianças de Gaza — que o veículo se tornasse uma unidade móvel de saúde — foi divulgado pelo Vatican News em maio.
A transformação do veículo envolveu também a adaptação feita por mecânicos palestinos, que fecharam as laterais abertas com painéis. A Caritas destacou a dimensão simbólica do projeto, afirmando que as crianças de Gaza ocuparão o mesmo assento onde o papa saúda multidões, sendo tratadas “como as pessoas mais valiosas da Terra”.
O contexto no território palestino permanece crítico. A Unicef informou que pelo menos 67 crianças foram mortas desde o início do atual cessar-fogo, em outubro. O exército israelense afirma ter como alvo militantes que representariam risco às tropas que ocupam metade de Gaza. Durante seu pontificado, Francisco manifestou repetidamente preocupação com a crise humanitária local, pediu a libertação de reféns, condenou ataques do Hamas e manteve contato frequente com a comunidade cristã de Gaza, cuja única igreja católica foi parcialmente destruída em julho.
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