Países europeus enviam tropas à Groenlândia após ameaças de Trump e aumentam tensão geopolítica

Países europeus começaram a enviar militares para a Groenlândia nesta quinta-feira (15), em meio às reiteradas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o desejo de que o território passe a ser controlado pelos EUA. A movimentação, liderada a pedido da Dinamarca, provocou reações do governo norte-americano e duras críticas da Rússia.

Donald Trump defende publicamente a anexação da Groenlândia desde, pelo menos, 2019. O tema voltou ao centro do debate internacional após seu retorno à Casa Branca, em janeiro do ano passado. Para o governo dos Estados Unidos, a ilha tem importância estratégica para a segurança nacional, sobretudo por sua localização no Ártico, considerada fundamental para sistemas de defesa capazes de interceptar mísseis lançados a partir da Europa ou da região polar.

Além do valor militar, a Groenlândia desperta interesse econômico por concentrar reservas de minerais estratégicos, petróleo e gás natural. A exploração desses recursos, no entanto, enfrenta restrições impostas pelas autoridades locais. Embora esteja geograficamente situada no continente norte-americano, a Groenlândia mantém vínculos políticos com a Dinamarca, à qual pertence desde 1953, após ter sido colônia dinamarquesa.

Há mais de 15 anos, a Dinamarca autorizou a realização de um referendo que pode levar à independência da Groenlândia. No atual contexto de tensão, porém, o governo dinamarquês passou a planejar uma presença “maior e mais permanente” de tropas da Otan na ilha, medida que conta com o apoio do governo local.

Nesta semana, Alemanha, França, Suécia, Noruega, Finlândia e Holanda enviaram pequenos contingentes militares para a Groenlândia. A Alemanha deslocou uma equipe de 13 militares, enquanto a França enviou cerca de 15 especialistas em operações em áreas montanhosas. Um oficial britânico também integra a missão. A Suécia enviou três oficiais, a Noruega dois, a Holanda um militar e a Finlândia dois. Segundo autoridades europeias, o objetivo inicial é preparar exercícios militares e planejar um reforço mais robusto ao longo de 2026.

Atualmente, cerca de 200 militares dos Estados Unidos já atuam na Groenlândia por meio de um acordo bilateral, e o país mantém uma base militar na região.

Após uma reunião sem avanços entre representantes dos Estados Unidos, da Dinamarca e da Groenlândia, Trump voltou a afirmar que o governo dinamarquês não teria capacidade de proteger a ilha caso Rússia ou China tentassem ocupá-la. O presidente norte-americano chegou a declarar que não descarta o uso da força para tomar o território.

Em publicação recente, Trump afirmou que a Groenlândia é vital para a segurança dos Estados Unidos e para o chamado “Domo de Ouro”, sistema militar planejado para interceptar mísseis lançados contra o território americano. Um dia após o encontro diplomático, a Casa Branca reforçou que o envio de tropas europeias não altera a posição do presidente sobre a ilha.

A Rússia reagiu com críticas à presença militar da Otan na Groenlândia, acusando a aliança de promover uma mobilização acelerada no Ártico. Segundo o governo russo, a narrativa de que há uma ameaça russa ou chinesa à ilha seria um “mito” usado para gerar histeria. Moscou afirma que há poucos indícios de presença significativa de navios chineses ou russos nas águas próximas à Groenlândia e declarou estar seriamente preocupada com o aumento da presença militar da Otan na região.

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