
O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) autorizou que um dos acusados no maior roubo de joias da história do país deixasse o território norte-americano de forma voluntária, mesmo respondendo a um processo criminal federal. O caso envolve o furto de joias avaliadas em cerca de US$ 100 milhões — o equivalente a R$ 526 milhões — ocorrido em 2022, na Califórnia.
Segundo documentos judiciais obtidos pela imprensa, Jeson Nelon Presilla Flores, um dos sete acusados no esquema, retornou ao Equador em dezembro do ano passado após solicitar a chamada autodeportação, o que lhe permitiu evitar o julgamento nos Estados Unidos. Ele era acusado de integrar o grupo que seguiu um carro-forte até uma área de descanso em uma rodovia rural ao norte de Los Angeles, de onde foram roubados diamantes, esmeraldas, rubis, ouro e relógios de luxo.
Caso fosse condenado, Flores poderia enfrentar uma pena de até 15 anos de prisão federal. Ao ser denunciado, ele se declarou inocente. Os promotores responsáveis pelo caso só souberam que o acusado havia deixado o país quando o advogado de defesa, John D. Robertson, apresentou uma moção pedindo o arquivamento definitivo das acusações, alegando violação de direitos no processo criminal.
De acordo com os advogados de Flores, ele foi detido em setembro por agentes do ICE, mesmo sendo residente permanente legal nos Estados Unidos, e posteriormente liberado sob fiança. A defesa argumenta que a detenção no âmbito migratório, enquanto o processo criminal estava em andamento, configura irregularidade suficiente para encerrar o caso.
Os promotores se manifestaram contra o pedido de arquivamento e afirmaram que ainda pretendem levar o acusado a julgamento caso ele retorne ao país. Em documentos oficiais, destacaram que o processo de imigração civil seguiu seu curso de forma independente, o que acabou beneficiando o réu. Segundo o Ministério Público, Flores agora evitará julgamento, condenação e eventual pena, a menos que volte aos Estados Unidos.
A decisão gerou indignação entre os joalheiros que foram vítimas do roubo. Jerry Kroll, advogado que representa parte das joalherias afetadas, afirmou ao jornal Los Angeles Times que o episódio expõe uma falha grave no sistema. Segundo ele, a saída do acusado antes do julgamento deixou as vítimas sem respostas, sem veredicto e sem qualquer desfecho judicial, apesar das perdas milionárias acumuladas ao longo de uma vida de trabalho.
Procurado pela agência de notícias Associated Press para comentar o caso, o ICE não respondeu até a publicação desta matéria.
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