Em Valinhos, o repertório ganha um toque especial. Segundo os músicos, não pode faltar homenagem ao mestre Adoniran Barbosa


Por Gabriel Previtale
O samba que ecoou na Festa do Figo em 2026 teve sotaque campineiro e essência de quintal. O Grupo Casa Caiada, formado por Silo Sotil (vocal), Bruno Sotil (vocal e percussão), Gustavo Moscardini (vocal e cavaco) e Marcelo Silveira (vocal e violão), subiu ao palco pelo quarto ano consecutivo, reforçando a ligação com o público valinhense.
Naturais de Campinas, os integrantes estão juntos há cerca de 17 anos. O grupo nasceu a partir do projeto “Escuta o Cheiro”, idealizado por Silo Sotil, com a proposta de resgatar a tradição do samba no fundo de quintal. A necessidade de ter uma atração musical fixa para embalar o projeto deu origem à banda. O nome Casa Caiada surgiu inspirado nos próprios espaços onde o samba era realizado — sempre em uma casa simples, carregada de afeto e identidade. Para o grupo, o nome simboliza que o samba tem raiz, tem espaço e, sobretudo, acolhimento.
Musicalmente, o Casa Caiada bebe em fontes clássicas do gênero, como Geraldo Pereira, Noel Rosa, Chico Buarque, além de referências como Fundo de Quintal e Zeca Pagodinho. A estética do grupo também incorpora ritmos da tradição afro-brasileira, como ijexá, cabula e barravento, ampliando as possibilidades sonoras e enriquecendo os arranjos.
Em Valinhos, o repertório ganha um toque especial. Segundo os músicos, não pode faltar homenagem ao mestre Adoniran Barbosa. Um dos momentos mais marcantes da apresentação na Festa do Figo foi quando o grupo interpretou “Saudosa Maloca” a capela, em coro com o público. “Se você toca samba em Valinhos e não canta Adoniran, não vai embora feliz”, brincam.
O grupo já lançou dois álbuns e costuma incluir composições próprias nos shows, reforçando o compromisso com a produção cultural do interior paulista. Atualmente, os músicos estão em estúdio preparando um novo trabalho com faixas inéditas, que contará com arranjos de viola caipira como elemento central da nova fase.
Com presença já consolidada na Festa do Figo, o grupo espera que 2026 seja um ano ainda mais acolhedor para os artistas do interior e que novas oportunidades em Valinhos e região fortaleçam o espaço do samba de raiz nos grandes eventos.
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