A banalização da etiqueta

Alô, chics! — como diria Gloria Kalil — como andam as regras de etiqueta?

Em meio ao caos destes tempos, tudo assusta, mas nada mais espanta — incluindo as boas maneiras.

Nesta semana, fiquei passado com o que aconteceu no jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca, no Hilton, em Washington — lá no “primeiro mundo”.

Ouvi dizer que estava tudo lindo — só teve um probleminha com a segurança.

Cada vez mais eu acho que o Serviço Secreto dos EUA é pura ficção: seja pelas ações perfeitas que Hollywood sempre inventou, seja pelas que a realidade tenta emplacar com baixo orçamento.

Nunca foi tão fácil atentar contra um presidente americano como tem sido nos últimos tempos. Trump já coleciona três tentativas e pode pedir música no Fantástico.

A coisa ficou tão corriqueira que não causa mais desespero ou comoção — um leve susto, talvez, mas nada que provoque uma taquicardia.

As imagens também já não têm mais o impacto emocional nem a beleza estética de antes.

Lembrei-me das fotos feitas por Sebastião Salgado que, em 30 de março de 1981, às 14h25, registrou a tentativa de assassinato de Ronald Reagan, na comemoração dos 100 dias de governo, quando John Hinckley Jr. disparou seis vezes na direção do então presidente republicano. Coisa de cinema, aquelas imagens!

Quarenta e cinco anos depois, no mesmo Hilton, imagens borradas que pareciam ter saído de uma fita VHS usada, feitas num videocassete de duas cabeças, decepcionaram os amantes da fotografia com um material semelhante àquelas de OVNIs, sabem?

Mas, tirando a parte séria do que aconteceu em Washington, no último dia 25 de abril, foi bem interessante ver a reação dos comensais que lotavam o salão de danças do Hilton na noite do atentado.

Fiquei, daí sim, assustado com as cenas chaplinianas que os convidados exibiram em performances equivalentes ao melhor da comédia do cinema mudo.

Nada supera a calma de alguns presentes que não deixaram de aproveitar as últimas garfadas de suas saladas e os goles finais de suas bebidas enquanto a segurança tentava conter o incidente.

Não é sempre que se tem um rega-bofe republicano e presidencial para se fartar à vontade ou quase à vontade. Mas nem assim podemos desculpar as pessoas que decidiram levar as bebidas embora e terminar a comemoração em casa. Nada chique.

Imagino que a Gloria Kalil e a Claudia Matarazzo não aprovariam os gestos, mas fazer o quê? Afinal, diante de tantos horrores, o que é a banalização da etiqueta?

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