A dívida pública total dos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 40 trilhões, segundo dados divulgados pelo Departamento do Tesouro nesta quarta-feira (20). O avanço amplia os alertas sobre a situação fiscal do país, diante do crescimento dos gastos com programas de proteção social e do custo dos juros da dívida.
O balanço diário do Tesouro mostrou que a dívida pública em circulação chegou a US$ 40,047 trilhões na terça-feira (19). Desse total, US$ 32,266 trilhões correspondem a títulos do Tesouro em poder do público, enquanto US$ 7,782 trilhões são referentes à dívida intragovernamental.
O valor representa mais do dobro da dívida registrada em janeiro de 2017, quando Donald Trump assumiu a presidência pela primeira vez. Naquele momento, o montante era de aproximadamente US$ 19,95 trilhões.
Parte significativa do crescimento ocorreu durante a pandemia de Covid-19, quando o governo dos Estados Unidos adotou medidas de emergência para financiar programas de apoio econômico e de saúde. O restante do aumento está relacionado aos desequilíbrios acumulados entre receitas e despesas federais e às decisões fiscais tomadas durante os governos de Trump e Joe Biden.
Organizações que acompanham as contas públicas americanas vêm alertando para o aumento da dívida e defendem medidas para reduzir o desequilíbrio entre arrecadação e gastos. Entre as alternativas apontadas estão mudanças na tributação, redução de despesas ou uma combinação das duas.
O aumento da dívida também tem reflexos no mercado financeiro. Os rendimentos dos títulos do Tesouro de longo prazo subiram, enquanto investidores passaram a exigir uma remuneração maior para manter papéis com vencimentos mais longos.
Na terça-feira, os rendimentos dos títulos de longo prazo atingiram níveis elevados em meio à preocupação com o volume de emissão de novos papéis pelo governo americano. Investidores estrangeiros, que detêm quase um terço dos títulos do Tesouro, também reduziram sua participação ao longo do último ano.
Nesta quarta-feira, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou a ampliação das operações de recompra de títulos com vencimentos entre 10 e 30 anos. O volume será duplicado para pelo menos US$ 4 bilhões por operação, em uma medida voltada a administrar o mercado de títulos de longo prazo.
O déficit federal também contribui para o aumento do endividamento. Em julho, o governo americano registrou déficit de US$ 432 bilhões, o quarto maior déficit mensal da história do país. Nos primeiros dez meses do ano fiscal de 2026, o déficit acumulado já superou o resultado registrado durante todo o ano fiscal de 2025.
Os gastos com programas obrigatórios, como Previdência Social, Medicare, Medicaid e benefícios destinados a veteranos, representam uma parcela significativa do orçamento federal. Os Estados Unidos gastam cerca de US$ 7 trilhões por ano, sendo aproximadamente 60% desse valor destinado a esses programas.
Outro fator de pressão são os juros da dívida. O governo americano destina cerca de US$ 1,1 trilhão por ano ao pagamento desses custos. Nos primeiros dez meses do ano fiscal de 2026, as despesas com juros superaram os gastos do Medicare e se tornaram o segundo maior item do orçamento federal, atrás apenas da Previdência Social.
O envelhecimento da população americana também aumenta a pressão sobre as contas públicas. Os gastos com aposentadorias e assistência médica da geração baby boomers continuam crescendo, enquanto as receitas provenientes de impostos sobre salários e renda não são suficientes para cobrir todas as despesas federais.
Segundo estimativas do Comitê para um Orçamento Federal Responsável, as políticas adotadas pelos governos Trump e Biden contribuíram para ampliar a trajetória da dívida. Entre as medidas citadas está o pacote legislativo conhecido como “One Big Beautiful Bill”, que, de acordo com o Escritório de Orçamento do Congresso, poderá acrescentar US$ 4,7 trilhões à dívida federal.
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