Greve dos Correios continua por tempo indeterminado e TST determina manutenção de 80% do efetivo

Marcelo Camargo/Agência Brasil

A greve dos Correios continua nesta segunda-feira (14), por tempo indeterminado, após trabalhadores rejeitarem a proposta apresentada pela empresa durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028.

A paralisação começou na sexta-feira (11) e envolve sindicatos de diversas regiões do país, incluindo o SINTECT-CAS, que representa Campinas e região. Entre as principais reivindicações da categoria estão avanços nas negociações, manutenção de direitos e garantias relacionadas ao plano de saúde de funcionários, aposentados e dependentes.

Um dos principais pontos de impasse é justamente o plano de saúde. Segundo a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT), a categoria considera fundamental a preservação das condições atuais do benefício. As assembleias que aprovaram a greve ocorreram após rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), sem que fosse alcançado um acordo.

Os Correios informaram que acionaram o Plano de Continuidade de Negócios para reduzir os impactos da paralisação e manter os serviços em funcionamento. Entre as medidas estão o deslocamento de funcionários administrativos para atividades operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões para preservar o fluxo logístico.

Mesmo com a greve, a rede de agências permanece aberta ao público. A empresa, porém, não informou quais regiões poderão sofrer maiores impactos ou se haverá mudanças nos prazos de entrega.

Na sexta-feira (11), os Correios também entraram com pedido de dissídio coletivo no TST. No sábado (12), uma decisão liminar determinou que 80% do efetivo permaneça em atividade em cada unidade ou estabelecimento da empresa durante a paralisação. A determinação abrange trabalhadores das áreas de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e setores administrativos ou de suporte considerados indispensáveis para a continuidade dos serviços.

O julgamento do dissídio coletivo está marcado para o dia 21 de setembro, às 13h30, na Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) do TST. Até a data, as partes ainda podem chegar a um acordo.

A paralisação ocorre em meio à situação financeira delicada dos Correios. A estatal acumula 15 trimestres consecutivos de resultados negativos e registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026. A empresa também aguarda um novo empréstimo de R$ 7 bilhões para reforçar o caixa.

Para situações específicas, os clientes podem entrar em contato com os Correios pelos telefones 4003-8210 e 0800-881-8210 ou utilizar os canais digitais de atendimento da estatal.

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