

Aprender a nadar pode ir além da prática esportiva. Para pessoas com deficiência, especialmente crianças e adolescentes autistas, o contato orientado com a água pode contribuir para a autonomia, o desenvolvimento motor e a prevenção de afogamentos. É com esse objetivo que a ACESA Capuava, em Valinhos, realiza mais uma edição do projeto Natação Inclusiva.
As aulas são gratuitas e atendem crianças, jovens e adultos com deficiência, respeitando as características e o ritmo de cada participante. O projeto prevê atender 60 pessoas ao longo de 12 meses, usando a atividade aquática como ferramenta de habilitação e reabilitação.
Além dos benefícios físicos, a iniciativa reforça a importância da segurança na água. Casos recentes de afogamentos envolvendo crianças autistas mostram que piscinas, lagos e represas podem representar riscos, principalmente quando a criança se afasta dos adultos sem ser percebida.
Para Michel Felipe Policarpo do Nascimento, coordenador do projeto, o aprendizado na água é uma camada de proteção, mas não substitui a supervisão. “A natação não elimina o risco de afogamento e não substitui a supervisão. Mas quanto mais a pessoa conhece a água, entende seus limites e desenvolve autonomia para se movimentar nela, maior é a possibilidade de reagir diante de uma situação de risco”, explica.
As atividades são adaptadas conforme a idade, as necessidades e o nível de autonomia dos participantes. Cada turma conta com dois profissionais de Educação Física, um fisioterapeuta e dois monitores de apoio. Os exercícios são realizados de maneira lúdica e utilizam materiais como pranchas e flutuadores.
A prática também pode contribuir para força, equilíbrio, coordenação motora, mobilidade, autoestima e socialização.
O projeto Natação Inclusiva III é viabilizado pela Lei Federal de Incentivo ao Esporte e conta com patrocínio das empresas Kemin, Sicoob, Eaton, Surtec, Chem-Trend e Myrallis.
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