Pais de menino de 4 anos já reuniram quase 50 caixas do remédio, que será descontinuado no Brasil; família teme dificuldades para manter o tratamento
Uma família de Vinhedo iniciou uma corrida contra o tempo para garantir o tratamento do filho de 4 anos, diagnosticado com epilepsia. A comissária de bordo Thais Jucá e o marido, o engenheiro elétrico João Jucá, conseguiram reunir quase 50 caixas do Depakote Sprinkle depois que a fabricante anunciou que o medicamento deixará de ser comercializado no Brasil.

Thais aproveita as viagens profissionais para procurar o remédio em farmácias de diferentes estados. A preocupação dos pais está relacionada principalmente à forma de administração do medicamento. O Depakote Sprinkle possui microgrânulos que podem ser retirados da cápsula e misturados a alimentos pastosos, facilitando o uso por crianças que ainda não conseguem engolir comprimidos.
Segundo a família, existem alternativas com o mesmo princípio ativo, mas em apresentações que não atendem às necessidades do filho. A mudança, por isso, gera insegurança diante do risco de interrupção ou dificuldade de adaptação ao novo tratamento.
A Anvisa informou que a empresa responsável deve garantir o abastecimento do produto pelo período determinado pela regulamentação, justamente para permitir que pacientes tenham tempo de ajustar o tratamento com acompanhamento médico.
Especialistas alertam que qualquer alteração na medicação de pacientes com epilepsia deve ser feita com orientação do neurologista. A fabricante Abbott afirma que a retirada do medicamento não está relacionada à qualidade, segurança ou eficácia e orienta pacientes e familiares a procurarem seus médicos para avaliar alternativas disponíveis.