O Programa Mundial de Alimentos (PMA), agência da Organização das Nações Unidas (ONU), anunciou nesta segunda-feira (19) que terá de reduzir as operações humanitárias na Faixa de Gaza devido à falta de recursos financeiros. A medida deve deixar cerca de 500 mil pessoas sem acesso à assistência alimentar a cada mês em um território devastado pela guerra.
Segundo a organização, a redução também afetará as famílias que continuarão recebendo ajuda. Os pacotes de alimentos serão cortados pela metade, passando de dois para um por família, e a quantidade de farinha de trigo distribuída será menor.
A assistência também sofrerá mudanças em outras frentes. O número de refeições quentes servidas diariamente cairá de 250 mil para 150 mil. Já o auxílio financeiro destinado a 75 mil famílias para a compra de alimentos será reduzido de 1.250 para 750 shekels mensais, o equivalente a uma queda de aproximadamente US$ 400 para US$ 240.
De acordo com o PMA, quase 1,4 milhão de pessoas, de uma população estimada em 2,1 milhões, continuam enfrentando insegurança alimentar aguda e dependem da ajuda humanitária para sobreviver.
Desde o início da ofensiva israelense na Faixa de Gaza, em outubro de 2023, após o ataque do Hamas em território israelense, a população enfrenta uma grave crise humanitária. Com o cessar-fogo iniciado em outubro de 2025, a agência conseguiu ampliar a distribuição de alimentos, alcançando entre 1,5 milhão e 1,8 milhão de pessoas por mês.
Agora, porém, a falta de financiamento impede a continuidade dessa expansão. O diretor do PMA nos territórios palestinos, Shaun Hughes, afirmou à agência AFP que a redução não ocorre por falta de acesso para distribuir os alimentos, mas pela insuficiência de recursos financeiros.
A organização estima precisar de quase US$ 450 milhões nos próximos seis meses para manter as operações na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Em 2026, entretanto, recebeu aproximadamente metade do financiamento habitual destinado aos territórios palestinos.
A queda nos recursos também afeta outras áreas de atuação. Em setembro, o PMA reduziu pela metade o número de beneficiários da assistência na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967, passando de 400 mil para 200 mil pessoas.
O financiamento da agência depende de contribuições de governos e doadores privados. Entre os fatores apontados para a redução dos recursos estão os cortes promovidos pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas contribuições destinadas a agências da ONU e na ajuda internacional.
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