Documentos liberados pela Justiça Federal revelam versões diferentes sobre a gestão da manutenção dos aviões; acidente ocorrido em agosto de 2024 deixou 62 mortos
A investigação sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo ganhou novos desdobramentos após a Justiça Federal retirar o sigilo de documentos do processo, na quarta-feira (4). Os depoimentos de dois ex-diretores da companhia revelam divergências sobre quem era responsável pelo controle operacional e pela manutenção das aeronaves.


O acidente aconteceu em 9 de agosto de 2024, quando um avião que partiu de Cascavel (PR), com destino a Guarulhos (SP), caiu em um condomínio residencial de Vinhedo. As 62 pessoas que estavam a bordo morreram.
Nos depoimentos à Polícia Federal (PF), Marcel Sarquis Moura, ex-diretor de operações, e Carlos Alberto Costa, que comandava a área de manutenção, apresentaram relatos diferentes sobre as atribuições de cada setor.
Moura afirmou que houve mudanças na estrutura organizacional da empresa pouco antes da tragédia, com a transferência de responsabilidades para o Centro de Controle de Operações. Costa, por sua vez, declarou que a área de manutenção, anteriormente sob sua influência, passou a responder à diretoria de operações. Ele também relatou insatisfação com a alteração.
Falhas de gestão
No relatório final, a PF apontou problemas na organização interna da companhia. Segundo a investigação, o diretor de operações tinha responsabilidade sobre o cumprimento das condições técnicas das aeronaves. O documento também destacou a permanência de um responsável pelo controle de manutenção cuja licença havia sido cassada.
A Polícia Federal concluiu que o acidente esteve relacionado a uma cultura de falta de comunicação sobre problemas operacionais e a decisões administrativas que teriam colocado a disponibilidade dos aviões acima das exigências de segurança.
Em outubro de 2026, a Justiça Federal tornou réus 12 ex-integrantes da Voepass, entre dirigentes, gerentes, um mecânico e o proprietário da empresa. Eles respondem por crimes relacionados à segurança do transporte aéreo, mas ainda não foram julgados ou condenados.
Em posicionamento oficial, a Voepass afirmou que continuará colaborando com as autoridades e fornecendo os documentos e esclarecimentos solicitados durante o processo.