

A Albânia discute a possibilidade de criar um microestado muçulmano soberano dentro de sua capital, Tirana. A proposta, defendida pelo primeiro-ministro Edi Rama, ainda está em fase de elaboração legislativa em março de 2026 e não foi votada pelo Parlamento, mas já provoca debates políticos e religiosos no país.
O projeto prevê a criação de um enclave no leste da capital, em uma área pertencente à Ordem Bektashi, vertente do islamismo de tradição sufista conhecida por uma interpretação mais flexível da religião. Caso seja aprovado, o território teria cerca de 100 mil metros quadrados — o equivalente a cinco quarteirões de Nova York — e se tornaria o menor país do mundo, superando o Vaticano, que possui aproximadamente 440 mil m².
A ideia é que o novo Estado funcione de forma semelhante ao Vaticano, com soberania própria, passaportes e fronteiras. No entanto, segundo Rama, o espaço teria características singulares. “Seria um Estado sem muros, sem polícia, sem exército, sem impostos ou outros atributos, mas uma sede, um Estado espiritual”, afirmou.
O objetivo, segundo o premiê, é promover a tolerância religiosa e combater estigmas associados ao islamismo. A proposta também prevê um modelo de convivência com ampla liberdade individual, incluindo consumo de álcool, autonomia para escolhas pessoais e ausência de imposições rígidas de estilo de vida.
O comando do possível microestado ficaria a cargo do líder religioso Edmond Brahimaj, conhecido como Baba Mondi, que defende uma abordagem moderada da fé. “Deus não proíbe nada; é por isso que nos deu mentes”, declarou.
Apesar do discurso de tolerância, a iniciativa enfrenta resistência dentro da própria Albânia. A Comunidade Muçulmana do país criticou a proposta, afirmando que não foi consultada e classificando a ideia como um “precedente perigoso”. A entidade também ressaltou que discussões dessa natureza deveriam ocorrer no âmbito do Conselho Inter-religioso nacional.
Especialistas também demonstram preocupação. O pesquisador Besnik Sinani avalia que não há justificativa concreta para a criação de um novo Estado e alerta para possíveis impactos no equilíbrio religioso. Segundo ele, a medida pode “perturbar os arranjos históricos da relação entre religião e Estado na Albânia”.
Outro ponto levantado é o risco de o país passar a ser rotulado internacionalmente como um “Estado islâmico”, o que poderia gerar implicações diplomáticas.
Mesmo diante das críticas, a Ordem Bektashi sustenta que o projeto tem caráter exclusivamente espiritual e afirma que o eventual microestado não terá outro objetivo além da liderança religiosa.
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