Campanha da American Eagle com Sydney Sweeney é acusada de racismo, eugenia e objetificação feminina

Propaganda com trocadilho entre “jeans” e “genes” levanta polêmica nas redes e é apontada como anti-woke; marca nega-se a comentar

A nova campanha publicitária da American Eagle, estrelada pela atriz Sydney Sweeney, vem gerando forte repercussão negativa nas redes sociais. Lançada na semana passada, a peça promocional utiliza um trocadilho entre as palavras “jeans” (calça) e “genes” (material genético) para destacar o corpo da atriz, o que muitos consideraram uma estratégia carregada de objetificação feminina, racismo e referências à eugenia.

Conhecida por seu perfil loiro, olhos azuis e corpo escultural, Sweeney protagoniza a campanha com frases como: “Meus genes são azuis” — numa possível referência à cor dos olhos e ao jeans, mas que também tem sido associada à ideia de “sangue azul”, expressão usada historicamente para reforçar a suposta nobreza racial branca.

A polêmica ganhou força com comparações à icônica (e controversa) campanha da Calvin Klein nos anos 1980, protagonizada por Brooke Shields, na qual a atriz — então com 15 anos — também falava sobre fatores genéticos em um contexto sensualizado. A nova propaganda da American Eagle recicla essa estética, mas agora com uma atriz adulta, de 27 anos. Ainda assim, não escapou das críticas.

Críticos acusam a marca de flertar com ideias eugenistas, por sugerir superioridade genética com base em padrões estéticos brancos. A eugenia é uma teoria pseudocientífica que defende o aprimoramento genético da humanidade e foi base ideológica para práticas nazistas, incluindo a eliminação de pessoas que não se encaixavam no “perfil ariano”.

O vídeo com Sweeney ainda apresenta diversas imagens da atriz em poses sensuais, com ênfase no corpo e nos gestos provocativos, o que levou internautas a denunciarem a objetificação do corpo feminino como elemento central da campanha. Para muitos, o foco no apelo erótico ofusca o talento e a trajetória artística de Sydney.

A controvérsia se acentuou quando foi revelado que a campanha se associa a uma ação social: 100% da renda obtida com a venda do modelo “The Sydney Jean” será doada à Crisis Text Line, instituição que atua com saúde mental e prevenção à violência doméstica. A contradição entre discurso e imagem sexualizada aumentou a percepção de hipocrisia.

Apesar da intensa onda de críticas, a repercussão também gerou crescimento nas vendas da marca, que subiram 10%, rendendo cerca de US$ 200 milhões, segundo a Vanity Fair. Enquanto isso, a marca e a atriz permanecem em silêncio.

Figuras públicas como Doja Cat e a comediante Caroline Baniewicz ironizaram a campanha em vídeos nas redes sociais, refletindo o desconforto de parte da audiência com o tom considerado “anti-woke” da ação, lançada em um momento de polarização cultural nos Estados Unidos.

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