Ansiedade, resistência e insegurança são comuns na retomada da rotina escolar
LEGENDA: Psicopedagoga Karina Spanholeto, especialista em autismo, TDAH e transtornos do desenvolvimento, orienta famílias sobre como acolher as crianças no retorno à rotina escolar após as férias.
Com o fim das férias escolares, muitos pais se deparam com um desafio: ajudar os filhos a retomarem a rotina de estudos, horários e responsabilidades. A transição, que pode parecer simples para os adultos, muitas vezes é fonte de ansiedade, irritabilidade e até resistência nas crianças. A psicopedagoga Karina Spanholeto, especialista em transtornos do desenvolvimento, explica que esse comportamento é mais comum do que se imagina e merece atenção.
“A mudança brusca de um período livre e lúdico para uma rotina estruturada exige um reequilíbrio emocional, principalmente nas crianças menores”, explica Karina, que atua há 25 anos com atendimentos em escola e consultório, em Valinhos.
Segundo ela, os principais sinais de que a criança está enfrentando dificuldades na adaptação incluem insônia, irritabilidade, queixas físicas como dor de barriga, desinteresse pelas atividades escolares e até recusa em ir à escola. “A criança sente falta da convivência com a família, do tempo livre, e pode não estar preparada emocionalmente para voltar à exigência do ambiente escolar”, ressalta.
Para minimizar esse impacto, Karina orienta os pais a retomarem a rotina com antecedência. “Nos dias que antecedem o retorno, é importante reintroduzir horários regulares para dormir, acordar, fazer refeições e até realizar pequenas tarefas com horário definido. Isso traz previsibilidade e segurança”, afirma.
Outro ponto essencial é a forma como os pais se comunicam com os filhos sobre a escola. “Falar com entusiasmo sobre os colegas, os professores e as coisas boas que os aguardam ajuda a reduzir a ansiedade. Mas, acima de tudo, é preciso validar o que a criança está sentindo”, destaca. Frases como “Eu entendo que está difícil, mas vou te ajudar” são muito mais eficazes do que minimizar ou ignorar a angústia da criança.
A especialista também alerta para os sinais de sobrecarga emocional, que podem ser mais intensos em crianças com condições como TEA (Transtorno do Espectro Autista), TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) ou dislexia. “Essas crianças precisam de uma rotina ainda mais estruturada, com reforço visual e apoio emocional constante. Pequenas alterações podem gerar grande impacto”, afirma.
A escola, segundo Karina, tem um papel fundamental nesse processo. “É responsabilidade da instituição oferecer um ambiente acolhedor, identificar sinais de sofrimento e manter um canal aberto de comunicação com as famílias”, diz. Isso inclui desde a adaptação de tarefas até a promoção de atividades que incentivem a socialização e o desenvolvimento socioemocional.
Em casa, os pais podem contribuir criando rituais de despedida carinhosos, organizando a rotina visual com quadros ou cartazes e equilibrando as obrigações com momentos de lazer e descanso. “Uma rotina saudável precisa contemplar sono adequado, alimentação balanceada, tempo para estudar e para brincar. E, claro, flexibilidade para lidar com dias mais difíceis”, orienta a psicopedagoga.
Karina deixa uma mensagem às famílias que estão inseguras com a retomada escolar: “Cada criança tem seu tempo. A adaptação é um processo e o mais importante é o acolhimento. Com diálogo, empatia e parceria entre família e escola, esse recomeço pode ser leve e positivo”. Para quem desejar apoio profissional, a psicopedagoga atende no bairro Bom Retiro, em Valinhos, e segue acompanhando de perto a jornada de crianças e adolescentes no retorno às aulas — com escuta ativa, orientação técnica e muita sensibilidade.