Arquivos secretos de Jeffrey Epstein vêm a público e citam Trump, bilionários e ligações com o Brasil

O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou mais de 3 milhões de páginas, 180 mil imagens e cerca de 2 mil vídeos relacionados ao caso do empresário Jeffrey Epstein, bilionário acusado de comandar um esquema internacional de tráfico e abuso sexual de jovens, muitas delas menores de idade. O material, considerado o maior já tornado público sobre o caso, foi disponibilizado na sexta-feira (30) pelo Departamento de Justiça norte-americano.

Os documentos revelam detalhes inéditos sobre a rede de relações de Epstein com políticos, empresários, membros da realeza e celebridades, além de trazerem menções diretas ao Brasil. Epstein morreu em 2019, após um mês preso em uma penitenciária federal. A morte foi oficialmente considerada suicídio, mas segue cercada de controvérsias.

Segundo as investigações, Epstein abusou sexualmente de meninas entre 2002 e 2005, na Flórida. Em 2008, firmou um acordo judicial e cumpriu 13 meses de prisão por exploração de menores. Em 2019, esse acordo foi considerado ilegal por um juiz, e o bilionário voltou a ser preso, acusado de operar uma rede de exploração sexual. Com sua morte, o processo foi arquivado, mas as investigações sobre outros envolvidos continuaram.

Entre os novos arquivos, o nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aparece milhares de vezes. Levantamento do The New York Times aponta mais de 5,3 mil documentos com menções diretas ou indiretas ao republicano. Um dos registros cita uma denúncia de estupro envolvendo uma menor, que teria sido cometida por Trump. O presidente nega a acusação, que foi retirada em 2016. Trump já havia sido citado em documentos anteriores, incluindo registros de voos e uma carta de aniversário enviada a Epstein.

Os documentos também chamam atenção pelas referências ao Brasil. Parte do material indica que Epstein manteve contato com um suposto “agente” responsável por recrutar garotas brasileiras, inclusive adolescentes. Reportagens da BBC apontam que ao menos quatro brasileiras teriam sido levadas para festas em propriedades de Epstein nos Estados Unidos, e que mais de 50 brasileiras passaram por sua mansão ao longo dos anos.

Há ainda e-mails em que Epstein discute a compra de uma agência de modelos no Brasil, a criação de um concurso de beleza com milhares de jovens e investimentos que chegariam a US$ 500 mil, além do interesse em adquirir uma revista de moda no país.

Os documentos citam o agente de modelos francês Jean-Luc Brunel, considerado um dos principais parceiros de Epstein. Brunel, que tinha forte atuação no mercado internacional e ligação com o Brasil, foi cofundador da agência MC2 Model Management, criada com financiamento do bilionário. Ele foi preso em Paris em 2020 e morreu dois anos depois na prisão, em um caso classificado como suicídio.

Personalidades brasileiras também aparecem nos arquivos, como Lula, Jair Bolsonaro, Eike Batista e Luma de Oliveira, mas, segundo os documentos, essas menções não têm relação direta com o esquema de abuso sexual. Em uma troca de e-mails com Steve Bannon, Epstein elogia Bolsonaro em 2018. Já Lula é citado em uma mensagem cuja veracidade foi negada pelo Palácio do Planalto. Eike Batista e Luma de Oliveira surgem em conversas informais sobre relacionamentos passados.

Outros nomes de destaque incluem o ex-príncipe Andrew, do Reino Unido, que volta a aparecer em imagens e e-mails comprometedores, além de Elon Musk e Bill Gates. Musk é citado em uma troca de mensagens em que pergunta sobre uma visita à ilha de Epstein, enquanto Gates é alvo de acusações que sua equipe classifica como “absurdas e completamente falsas”.

A divulgação do material também gerou forte reação das vítimas. Após reclamações, o Departamento de Justiça chegou a retirar parte dos documentos do ar. Segundo advogados, falhas na edição expuseram nomes, imagens e dados sensíveis de possíveis vítimas. Em nota, sobreviventes classificaram a publicação como “ultrajante” e afirmaram que a exposição reabre traumas e viola direitos básicos.

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