Olá, paternos legentes!
Quando este texto for publicado, estaremos às vésperas de mais um Dia dos Pais. Talvez aqueles que são pais possam lê-lo e, de antemão, pensar um pouco sobre a data. — também os que ainda não são pais, mas pensam no assunto.
Digo isso não pela data, obviamente, mas pelo título, função, cargo ou patente que ela busca comemorar.
Bem… Antes de prosseguir, para quem ainda não sabe, sou pai e já sou avô. Não me sinto apto — quem me dera — a explicar essa coisa de ser pai, mas ao menos me sinto no dever de tentar.
Não me digo apto porque é um treinamento que nunca termina, não dá certificado e falta muito material didático a respeito. Se é que existe.
Eu sei que, vez ou outra, surge mais um daqueles manuais práticos de autoajuda aos pais, mas, até pelo princípio do vocábulo, para ser de autoajuda, cada um deveria escrever o seu próprio manual.
Mas sigamos. Pensemos um pouco sobre o quão difícil é a tarefa de ser pai. A coisa é tão complexa para nós que um tal de Cristo teve logo dois: um no céu — Deus — e outro na Terra — José. Apenas um não daria conta sozinho de Yeshua, que era danado desde pequeno. Vivia desaparecendo; quando iam procurá-lo, estava discutindo com os sábios do templo. É verdade que até tentou ser marceneiro, mas não se dava bem com madeira e pregos — coisa de premonição. Veio a adolescência e, com o tempo, passou a andar com um grupo meio subversivo, a discursar pela Galileia, Judeia, Pereia e até na Samaria. Frequentava festas até a bebida acabar e sempre dava um jeitinho de chegar mais — adorava um bom vinho. Aos 33 anos de idade, foi preso, julgado e condenado.
Não à toa Ele precisou de dois pais, embora nenhum dos dois tenha sabido lidar de forma adulta quando a coisa ficou feia. O que estava no céu mandou raios e trovões, mas não desceu para ajudá-lo, nem quando Ele pediu. O da Terra, o tal de José, ninguém sabe ao certo onde estava naquela hora.
Maria, a mãe, que era uma só, estava lá. Firme. Aliás, nunca o deixou: estava sempre atrás Dele, como fazem as mães.
Nossa, quase me esqueço de que preciso falar algo bacana sobre os pais.
Voltando, então, como eu dizia: não tem manual e o curso prático para pais não funciona bem. Faltam bons professores.
Em geral, já no primeiro dia do treinamento presencial há pai desmaiando: o filho ou a filha está nascendo, quem sente as dores é a mãe, mas quem cai é o pai. Quando acorda, logo começa a chorar. É então que um “iluminado” solta a pérola: “Seca o choro, que homem não chora!” Eu disse: faltam bons professores.
Tem uns que já desistem no primeiro dia. Vão comprar cigarros e não voltam. Outros nem chegam tão longe… Muito antes do primeiro dia, já sumiram.
Mas, felizmente, há inúmeros que decidem assumir a tarefa e fazem de tudo para ter sucesso na empreitada paterna. Mais uma vez, nem todos resistirão: mil cairão de um lado, e dez mil do outro.
Então, para orgulho de nossa categoria, alguns levarão a missão até o último suspiro e dirão que valeu a pena cada minuto.
É nestes exemplos que devemos prestar atenção, pois carregam a mais importante mensagem sobre essa tal graça de ser pai: você não sairá formado, não terá diploma, nem ganhará mais uma divisa ou medalha, mas certamente deixará melhores instrutores para a próxima turma.
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