Trump ameaça tarifaço sobre importações do Brasil, mas decisão ainda é incerta
O Brasil acompanha com apreensão a iminência de um novo tarifaço anunciado pelo governo Donald Trump, previsto para o dia 2 de abril, batizado pelo republicano como “Dia da Libertação”. A medida pode afetar de forma significativa as exportações brasileiras para os Estados Unidos, segundo maior parceiro comercial do país, ficando atrás apenas da China.
A estratégia de Trump baseia-se na elevação de tarifas de importação como forma de proteger a indústria americana, embora analistas apontem riscos de uma guerra comercial global. No cenário mais brando, apenas o etanol brasileiro teria aumento de tributação, enquanto o pior dos cenários prevê uma tarifa generalizada sobre todas as importações dos EUA provenientes do Brasil.
A política de “reciprocidade tarifária” de Trump busca igualar as tarifas americanas às cobradas pelos países exportadores, e o Brasil é visto como um dos alvos principais devido às barreiras comerciais e exigências sanitárias. O governo brasileiro, por sua vez, argumenta que o histórico comercial é deficitário para o Brasil, com um saldo negativo de US$ 43 bilhões entre 2015 e 2024.
Setores como aço e alumínio já foram impactados pela atual gestão americana, com uma taxa de 25% sobre suas importações desde março. O próximo alvo pode ser o etanol, cuja tarifa pode subir de 2,5% para 18%, igualando a taxa cobrada pelo Brasil sobre o produto americano. O agronegócio também observa com preocupação, especialmente os setores de café e suco de laranja, que poderiam perder mercado nos EUA.
Estudos de consultorias indicam que, caso o tarifaço seja implementado de forma ampla, a alíquota pode variar entre 10% e 25% para produtos brasileiros. No pior cenário, haveria uma queda estimada de US$ 2 bilhões nas exportações nacionais, afetando a competitividade de bens manufaturados e semimanufaturados.
Diante da incerteza, o governo brasileiro busca alternativas, incluindo negociações diretas com Washington e possível ação na Organização Mundial do Comércio. O Congresso também aprovou um projeto que amplia os instrumentos de retaliação comercial do Brasil. Ainda assim, o futuro das relações comerciais entre os dois países segue indefinido, em meio a um contexto político e econômico cada vez mais volátil.