China amplia retaliação aos EUA e bloqueia exportações para 10 empresas ligadas ao setor militar

A China anunciou nesta segunda-feira (22) a inclusão de 10 empresas dos Estados Unidos em sua lista de controle de exportações, ampliando a disputa comercial e tecnológica entre as duas maiores economias do mundo. Segundo o governo chinês, as companhias possuem vínculos com as Forças Armadas americanas e, por isso, ficarão impedidas de receber determinados produtos e tecnologias originários da China.

Entre as empresas afetadas estão as produtoras de terras raras MP Materials e USA Rare Earth, além da fabricante de motores Aveox. Com a medida, ficam suspensas as exportações chinesas de itens classificados como de dupla utilização para essas companhias.

Os chamados itens de dupla utilização são bens, materiais e tecnologias desenvolvidos para fins civis, mas que também podem ser empregados em aplicações militares. A restrição é considerada estratégica porque a China domina boa parte da produção global de terras raras, minerais essenciais para a fabricação de equipamentos eletrônicos, veículos elétricos, sistemas de defesa e tecnologias avançadas.

Em comunicado oficial, o Ministério do Comércio da China afirmou que a decisão responde às “práticas maliciosas do governo dos Estados Unidos” e tem como objetivo proteger a segurança nacional e cumprir compromissos internacionais relacionados à não proliferação.

Além da suspensão das exportações, o governo chinês determinou que organizações e indivíduos de qualquer país ou região não poderão transferir ou fornecer às empresas listadas itens de dupla utilização originários da China. As operações em andamento deverão ser interrompidas imediatamente.

A decisão endurece as regras anteriormente em vigor, que permitiam exportações mediante autorização específica. Na prática, as empresas passam a enfrentar uma proibição total para acessar determinados produtos estratégicos chineses.

Em outra frente, o Ministério das Finanças da China anunciou sanções contra mais 46 empresas americanas. A medida impede compradores chineses de adquirirem produtos fabricados por essas companhias, embora empresas financiadas por capital dos Estados Unidos que atuam em território chinês continuem autorizadas a realizar compras.

A ação ocorre poucas semanas após Washington ampliar as restrições contra empresas chinesas. No início de junho, os Estados Unidos incluíram gigantes como Alibaba, Baidu, BYD e NIO em uma lista de companhias que, segundo o governo americano, mantêm relações com atividades militares chinesas.

O Departamento de Guerra dos Estados Unidos atualizou sua relação de empresas consideradas ligadas ao aparato militar de Pequim, elevando o número para 188 companhias. A lista inclui empresas de tecnologia, fabricantes de chips, montadoras e companhias de telecomunicações.

As empresas chinesas afetadas contestaram a classificação. A Baidu afirmou que a acusação é infundada e informou que buscará sua retirada da lista. Já a WuXi AppTec declarou que sua inclusão foi equivocada e prometeu adotar medidas para reverter a decisão.

O novo capítulo da disputa entre China e Estados Unidos acontece menos de um mês após um encontro entre o presidente americano Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping. Apesar do tom diplomático e da troca de elogios, persistem divergências em temas estratégicos, como tecnologia, comércio e a questão de Taiwan.

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