Reajuste do ICMS e alta do diesel pela Petrobras impulsionam aumento nos preços, que superam a inflação e impactam o consumidor
Os preços dos combustíveis registraram uma alta superior à inflação no Brasil em fevereiro. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,31% no mês, enquanto os combustíveis tiveram um aumento médio de 2,89%. Entre os fatores que impulsionaram esse aumento, está o reajuste do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que passou a ter um acréscimo de R$ 0,10 sobre a gasolina e R$ 0,06 sobre o diesel a partir de 1º de fevereiro.
Mesmo assim, a alta dos preços superou o impacto do imposto. O litro da gasolina aumentou R$ 0,16, chegando a R$ 6,502, enquanto o etanol teve um acréscimo de R$ 0,17, alcançando R$ 4,513. O diesel S-10 registrou a maior alta, de R$ 0,27, chegando a R$ 6,629. Os dados são de um levantamento realizado pela ValeCard, com base em transações feitas entre 1º e 27 de fevereiro em mais de 25 mil postos de combustíveis no país.
A elevação dos preços se deve, em grande parte, ao efeito cascata gerado pelo ICMS, que é cobrado no início da cadeia produtiva, seja na refinaria ou na importação. Esse custo é repassado ao longo da cadeia, elevando os preços para o consumidor final. Além disso, as empresas ajustam suas margens de lucro com base no custo da produção, o que contribui para o aumento dos valores.
Outro fator que impactou diretamente o preço do diesel foi o reajuste da Petrobras, que anunciou um aumento de R$ 0,22 no valor do combustível para as distribuidoras em 31 de janeiro, com vigência a partir de 1º de fevereiro. Esse acréscimo foi repassado aos postos e, consequentemente, aos consumidores.
Além dos reajustes tributários e da Petrobras, outros elementos influenciam os preços, como a valorização do dólar, que se mantém na casa dos R$ 5,70, oscilações no valor do petróleo no mercado internacional e o aumento dos custos logísticos.
Para reduzir os impactos no orçamento, motoristas podem avaliar se o etanol é mais vantajoso do que a gasolina. A recomendação é que o etanol compense quando seu preço for até 70% do valor da gasolina. De acordo com a ValeCard, até fevereiro, essa condição era favorável em 10 estados: Acre, Amazonas, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rondônia e São Paulo.