

Olá, legentes!
Eu não quero desanimar ninguém, mas quanto mais eu percebo o delay em que vivemos, menos eu consigo torcer pelos jogos da Copa.
Li, num artigo científico do MIT — Massachusetts Institute of Technology, que sempre me faz lembrar o de la Peña, do Casseta & Planeta, embaralhando a pronúncia só de sacanagem —, que o cérebro humano leva 13 milissegundos para identificar imagens vistas.
Em 2014, a neurocientista Mary Potter — não confundir com o Harry de Hogwarts — professora do MIT de ciências do cérebro e cognitivas, concluiu isso em seus estudos científicos.
Em resumo, e apoiado pelos estudos de Mary Potter, a gente está sempre atrasado: no mínimo em 13 milissegundos para qualquer coisa que já aconteceu. Aliás, a palavra “já” soa um tanto antagônica neste caso.
A pesquisa diz, inclusive, que se virmos algo e esse algo desaparecer em menos de 13 milissegundos, a gente não viu — e, por isso, nem poderemos dizer que existiu.
— Ah, mas 13 milissegundos nem é atraso!
Tudo bem. Pode ser que eu esteja mesmo exagerando um pouco para provar que a gente vive no passado, sempre em dia com o nosso atraso — parafraseando aquele roqueiro reaça.
Então em vez de seguir falando sobre milissegundos, vamos falar de segundos, sem dividi-los por mil.
Responda-me, com toda a verdade e sinceridade: por que torcemos tanto por algo que já aconteceu, como os jogos da Copa que chegam a demorar mais de 30 segundos para chegar às nossas TVs e que muitas vezes já foram comemorados pelo vizinho em sua TV de sinal digital — também com delay?
Vocês viram aquele vídeo onde um torcedor é contido pelos amigos ao querer comemorar o gol do Brasil, ao perceber que o vizinho já tinha assistido ao lance numa TV menos atrasada?
O angustiado torcedor queria tirar sua camiseta verde-amarela para girá-la em êxtase, enquanto os amigos pediam que ele esperasse mais um pouco, até a imagem chegar a eles. Sabe aquela clássica: “Calma, amor, que eu ainda não cheguei lá… Calma, calma! Só mais um pouquinho!” E fica aquele gozo suspenso: tira ou não tira a camiseta? Gira ou não gira no ar? Grita ou não grita? Goza ou não? — Ah! Salve-me Lacan!
Mas, ainda assim, se este pobre e desejante torcedor reprimido decidir gritar “gol” antes de seus parceiros de torcida, gritará atrasado em relação ao lance já ocorrido a milhares de quilômetros de sua TV. Seu grito, sua explosão, será sempre um gozo com delay: algo perdido, faltante — uma neurose.
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