Toninho Evangelista era sinônimo de confiança e segurança tanto no gol, quanto na formação de atletas
















Por Bruno Marques
Esta semana, a coluna De Volta Para o Passado presta uma homenagem a um dos mais notáveis atletas e treinadores da cidade. Valinhos perdeu, no último dia 18, um dos maiores guarda-metas da sua história. Lúcio Antônio Evangelista, o Toninho, foi um dos ilustres atletas do município que se destacou profissionalmente em outros lugares. Goleiro de confiança, defendeu as redes da Ferroviária entre 1961 a 1965, quando enfrentou partidas contra o Santos de Pelé.
Em maio de 2015, este repórter entrevistou Toninho, pelo Jornal Terceira Visão, e trechos da matéria estão a seguir.
O que vale a experiência se ela não é retransmitida? Do que adianta ter conhecimento, se esse tesouro não for perpetuado pelos próximos que vêm? Um valinhense, com seu 1,80m no auge esportivo, muito talento e resistência sob as traves, brilhou em campos do Futebol profissional, superou dificuldades e, sobretudo, treinou novos talentos. Quantos na cidade não podem dizer, e se orgulhar, de conhecer e ser treinado por Toninho Evangelista? É interessante pensar que o homem que finalizou tantas jogadas em suas mãos, também iniciou várias outras jogadas de sucesso não só no esporte, mas na vida em geral de muitos valinhenses.
Lucio Antônio Evangelista nasceu em Valinhos, na data de 12 de outubro de 1939. Na ocasião da entrevista, contou que foi competir em Barretos, quando tinha 17 anos, para disputar na 2ª divisão do Campeonato Paulista. Ficou dois anos lá e voltou. Nesse tempo, trabalhou na Clark (atual Eaton). “Na época, comprávamos a Gazeta Esportiva e vi a notícia que a Ferroviária de Araraquara procurava um terceiro goleiro. Fiz o teste, passei, e um mês depois já era titular”, havia lembrado.
Parando Pelé
Guardião do gol da Ferrinha no seu primeiro auge, participou de campanhas de destaque do time de Araraquara, batendo os maiores times paulistas tanto dentro como fora de casa. O alvinegro santista mesmo sofreu goleadas de 4 a 1 e 5 a 1, esta na Vila Belmiro, para o time de Toninho, na temporada de 1963, ano em que excursionou para a Colômbia, enfrentando grandes equipes sulamericanas.
Toninho ainda jogou oito meses no XV de Jaú. De lá, foi para a primeira divisão com o Botafogo de Ribeirão Preto, onde atuou por um ano e meio. “Aí voltei para Valinhos e me transferi para o Ararense, que estava para subir de divisão. Lá joguei seis meses”, completou.
‘Pai do campo’, sem luvas
“Minha primeira luva só fui ter em uma excursão pela América do Sul e Central. Eu a ganhei do grande goleiro Marin, que na época jogava no Vélez Sarsfield”, lembrou com carinho. Toninho encerrou sua carreira como jogador em 1974, aos 35 anos, após uma operação no joelho esquerdo.
Uma numerosa leva de crianças aprendeu muitos valores esportivos, de saúde e disciplina na fase de Toninho como treinador. “Meu forte é trabalhar com as crianças e posso dizer que minha carreira como treinador em escolinhas foi ainda mais gratificante que a de jogador profissional”, definiu.
Treinador de gerações
Por 26 anos foi jogador e treinador no Rigesa. Sob seu comando, o time venceu o Desafio do Galo, nos anos 70, com uma marca histórica de 16 jogos de invencibilidade. Pela mesma equipe, foi campeão, em 2005, da primeira divisão do futebol valinhense.
Toninho também foi secretário de esportes – quando implantou escolinhas de futebol no município. Atuou como voluntário da Casa da Criança. Em fevereiro de 2015, ‘Mochila’, como também era conhecido, foi homenageado na Câmara Municipal, com o título de Cidadão Benemérito Viúvo de Rosemary Volpe Evangelista, Toninho faleceu aos 83 anos. Ele deixou os filhos Alexandre e Marcelo e cinco netos: Juliana, Victor, Guilherme, Vinicius e Marina, além de muitos ‘filhos do campo’. Era querido, carismático, e sua serenidade transmitia paz, contando sua trajetória repleta de boas histórias.