Mais de 12 mil crianças com menos de cinco anos enfrentam desnutrição aguda no território palestino


A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta semana que a Faixa de Gaza registrou, em julho, o maior número mensal de casos de desnutrição aguda em crianças desde o início da atual escalada do conflito. Segundo o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, mais de 12 mil crianças com menos de cinco anos foram diagnosticadas com o quadro nutricional grave.
De acordo com a OMS, os dados estão diretamente relacionados ao avanço da fome no enclave palestino, impulsionado pelas restrições no fornecimento de ajuda humanitária impostas por Israel. A crise se intensificou após o corte total de assistência ao território palestino em março, e mesmo com a reabertura parcial das fronteiras em maio, os bloqueios continuam dificultando a entrega de suprimentos essenciais.
Entre os dias 19 de maio e 25 de julho, período após a suspensão do bloqueio, apenas um em cada oito caminhões de ajuda humanitária coletados em pontos de travessia conseguiu chegar ao destino final em Gaza, conforme relatório das Nações Unidas. Dos 2.010 veículos carregados com suprimentos, menos de 260 conseguiram cumprir a missão.
A situação se agravou após novas declarações do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que nesta quinta-feira (7) afirmou que Israel pretende manter o controle militar total da Faixa de Gaza antes de entregá-la a forças árabes. Netanyahu negou a intenção de governar Gaza permanentemente, mas a declaração foi duramente criticada pelo grupo palestino Hamas, que chamou o plano de um “golpe” e alertou que a ofensiva pode colocar a vida de reféns em risco.
O Hamas também acusa Israel de usar a fome como arma de guerra, impedindo a entrada de mantimentos como forma de pressionar o grupo a libertar dezenas de reféns.
Com o colapso do sistema de saúde, a destruição de infraestruturas civis e o bloqueio contínuo de ajuda, agências internacionais alertam para um cenário de catástrofe humanitária iminente, com crianças entre as principais vítimas da insegurança alimentar extrema.