

Olá, legentes!
Nesta semana, “comemoramos” — o que é meio estranho — o Dia da Mentira, em 1º de abril. Aliás, essa tradição se consolidou justamente por conta da adoção do calendário gregoriano, no ano de 1582, por decisão do papa Gregório XIII, que sugeriu a atualização do calendário, estabelecendo o dia 1º de janeiro como o início do Ano-Novo.
Antes disso, o Ano-Novo era comemorado no dia 25 de março, segundo o calendário juliano, início da primavera no Hemisfério Norte, estendendo-se até o dia 1º de abril, desconsiderando o movimento que a Terra faz ao redor do Sol (translação).
Por certo negacionismo científico, parte do povo francês recusou-se a aceitar o novo calendário, que já havia sido adotado pelo rei Carlos IX em 1564, muito antes da decisão da Igreja Católica.
Da recusa dos franceses à época surgiram os chamados “bobos de abril”, que continuaram a seguir o antigo calendário e passaram a ser zombados com presentes falsos e convites para festas que nunca ocorriam. E daí advém a tradição atual.
Nesses dias, li o resultado de uma pesquisa realizada pelo Datafolha, segundo a qual 33% dos entrevistados não acreditam que o homem tenha estado na Lua. Simplesmente negam o fato.
Nesta quarta-feira, 1º de abril — só por zombaria, talvez, não sei —, uma nova missão da NASA lançou a Artemis II, levando quatro astronautas a um voo ao redor da Lua e retomando as missões tripuladas, interrompidas desde o Programa Apollo. Confesso que achei uma enorme sacanagem fazer isso justamente no Dia da Mentira.
Há um famoso texto de Santo Agostinho, escrito entre os séculos IV e V, por volta do ano 395 d.C., intitulado Sobre a Mentira (De mendacio), no qual ele conclui que “não se deve mentir jamais”, com base em “exemplos e razões pró e contra”, ao examinar e rejeitar oito espécies distintas de mentira.
Diz ainda Santo Agostinho:
“Escrevi um livro sobre a mentira. Mesmo que ele exija algum esforço para ser compreendido, pode ser um útil exercício para a mente e o intelecto, além de ser vantajoso para os costumes, fazendo com que seja amada a sinceridade no falar.”
A mentira sempre existiu na história humana e sempre serviu a algum tipo de poder. A cada dia, porém, torna-se mais poderosa como ferramenta de manipulação.
A Inteligência Artificial já aprendeu a mentir, como relatado por diversos pesquisadores em diferentes modelos de IA generativa — o que não me surpreende, pois aprenderam conosco.
Em verdade, em verdade, vos pergunto, legentes: quem de nós está realmente apto a reconhecer as verdades e a aceitá-las?
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