“descançar” e continêcia”

Olá, legentes!

Nascido em 1921, na França, o filósofo, sociólogo, antropólogo e autor de dezenas de livros, Edgar Morin, aos 104 anos de idade, ainda segue em sua luta por um mundo melhor e, principalmente, por uma educação mais capaz de nos levar até lá.

Morin é considerado um dos maiores pensadores vivos quando o assunto é educação.

Em 1999, a pedido da Unesco, através de seu então presidente, Frederico Mayor, Edgar Morin sistematizou um conjunto de reflexões que pudessem nortear os próximos passos de nossa caminhada: “Os Sete Saberes necessários à Educação do Futuro”.

Para Morin existem sete saberes fundamentais que a educação precisa considerar sem nenhuma exclusividade ou rejeição e respeitando modelos e regras próprias de cada tipo de sociedade e do conjunto de suas culturas.

Segundo Morin, o conhecimento não pode ser visto como uma ferramenta pronta, mas precisa ser examinado todos os dias, evitando erros e ilusões acerca dele próprio.

Tudo é pertinente e a supremacia do conhecimento fragmentado deve ser substituída por um modelo capaz de compreender as complexidades (o todo).

Precisamos ensinar métodos que estabeleçam relações mútuas e que reciprocamente influenciem entre si as partes e o todo em um mundo complexo.

Temos que ensinar nossa condição humana, nossa identidade terrena, nossa identidade planetária, e compreender de uma vez por todas que não estamos dissociados disso.

É fundamental enfrentar as incertezas que nos cercam.

É vital ensinar que a compreensão mútua e a educação têm que balizar a ética do gênero humano: uma “antropo-ética” que tem como caráter ternário a condição humana, que é ao mesmo tempo indivíduo/sociedade/espécie, com um controle mútuo e uma cidadania terrestre voltada a todos os seres humanos sem nenhuma distinção.

Os saberes propostos por Morin consideram que nada pode escapar à educação e que a visão precisa ser da complexidade e não da simplicidade das coisas.

Quem somos? Onde estamos? Onde vivemos e para onde vamos? Estas são questões fundamentais da condição humana, deve ser a base de nossa educação.

De acordo com o pensamento de Morin nossos modelos educacionais limitam nosso potencial naquilo que é a nossa maior beleza: a complexidade.

Somos sapiens/demens; faber/ludens; empiricus/imaginarius; economicus/consumans; prosaicus/poeticus. Somos racionais e afetivos; trabalhadores e lúdicos; empíricos e imaginários; econômicos e consumistas; prosaicos e poetas.

Somos complexos: Homo complexus.

Portanto, como podemos aceitar modelos que insistem em nos doutrinar? Modelos que recrutam crianças e as submetem a regimes de “ordem unida”, a mandos que dispensam e até recriminam o pensamento livre.

Como podemos admitir que escolas se voltem a formar (pôr em formas) indivíduos, treinando-os para apenas cumprirem ordens, que muitas vezes incitam à violência, intolerância, opressão?

Como podemos aceitar, nos dias de hoje, que crianças sejam preparadas para tão somente obedecer sem qualquer contestação, sem nenhuma possibilidade de opinarem e exercerem suas potencialidades e autonomia de pensamentos e ações?

O modelo de escola cívico-militar é voltado ao não saber, à destruição dos indivíduos e de suas capacidades, tornando-os apenas seres de fácil manobra, incapazes de agirem com alguma autonomia.

Não bastasse a triste questão ideológica inserida neste modelo, tais instituições estão sendo conduzidas por pessoas incapazes de ensinar sequer a ortografia das palavras mais simples.

E quem dera escrever “descançar” e continêcia” fosse o único risco que corremos!

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