Às vésperas de negociações em Omã, tensão entre EUA e Irã cresce com ameaça de sanções e impasses sobre programa nuclear
Às vésperas de uma nova rodada de negociações nucleares entre Estados Unidos e Irã, o secretário de Energia norte-americano, Chris Wright, ameaçou interromper as exportações de petróleo iraniano. A declaração, feita nesta última sexta-feira (11), visa aumentar a pressão sobre Teerã em meio à crescente tensão sobre seu programa nuclear. As conversas terão início neste sábado (12), em Omã, com a participação de autoridades iranianas e do enviado dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff.
A sinalização de Washington ocorre em um momento delicado, após semanas de trocas verbais e ameaças de ação militar por parte do ex-presidente Donald Trump. O Irã, por sua vez, reiterou estar aberto ao diálogo. Ali Shamkhani, conselheiro sênior do líder supremo Ali Khamenei, afirmou que o país está disposto a chegar a um consenso, desde que o acordo seja “real e justo”. Segundo ele, propostas importantes e implementáveis já estão preparadas.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baqai, destacou a disposição de Teerã em apostar na diplomacia, mesmo diante da retórica agressiva de Washington. Baqai afirmou que a decisão foi tomada com boa fé e vigilância, e espera que os Estados Unidos reconheçam esse gesto.
O pacto nuclear de 2015, firmado entre o Irã e as grandes potências, perdeu força após a saída dos EUA em 2018. Desde então, os esforços para restabelecer o acordo têm enfrentado diversos impasses. As potências ocidentais suspeitam que o Irã busca desenvolver armas nucleares, enquanto Teerã insiste que suas atividades têm fins exclusivamente civis.