

Os Estados Unidos confirmaram as duas primeiras mortes por sarampo deste ano. As vítimas eram moradoras não vacinadas do Condado de Lancaster, na Pensilvânia, conforme informou o Departamento de Saúde do estado. O registro representa um retrocesso histórico para a região, que não contabilizava óbitos pela doença há 35 anos. As autoridades de saúde não divulgaram detalhes sobre idade ou identidade dos pacientes por razões de privacidade.
O país enfrenta um avanço acelerado da infecção, com 2.777 casos confirmados até o momento pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) — superando os 2.289 registros e três mortes contabilizados durante todo o ano de 2025. Causado por um vírus altamente contagioso e transmitido pelo ar, o agente infectante pode permanecer ativo em superfícies e ambientes fechados por até duas horas. A prevenção é feita por meio da vacina tríplice viral, imunizante utilizado há mais de cinco décadas globalmente que também protege contra caxumba e rubéola.
A alta nos diagnósticos acompanha a queda progressiva na cobertura vacinal infantil norte-americana, que recuou de mais de 95% em 2020 para menos de 93% no cenário atual. A taxa está abaixo do patamar de 95% recomendado por especialistas para garantir a imunidade coletiva. O declínio na imunização vem se acumulando desde 2016, impulsionado pelo contexto pós-pandemia e por retóricas contrárias às vacinas na política nacional.
O debate sobre a imunização ganhou novos contornos após o presidente Donald Trump assinar uma ordem executiva para reformular o calendário infantil, defendendo a substituição da tríplice viral por doses isoladas sob a alegação não comprovada de riscos. O discurso voltou a associar vacinas ao autismo, teoria originada de uma pesquisa fraudulenta de 1998 que já foi desmentida por consensos científicos globais e pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS).
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