Falhas graves no PHP levam Anatel e tribunais a suspender sistemas por segurança

A identificação de duas falhas graves de segurança na linguagem de programação PHP levou órgãos públicos brasileiros a suspender temporariamente o acesso a sistemas digitais, incluindo o Sistema Eletrônico de Informações (SEI). A medida é preventiva e busca proteger servidores e informações institucionais contra possíveis ataques cibernéticos.

Entre os órgãos que adotaram restrições estão a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e os Tribunais Regionais Federais da 1ª e da 4ª Regiões (TRF1 e TRF4), que suspenderam o acesso externo ao SEI. O Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) também interrompeu temporariamente o acesso ao sistema de processo judicial eletrônico e ao SEI, mas informou que ambos foram restabelecidos nesta quinta-feira (22).

As vulnerabilidades podem permitir que invasores assumam o controle de servidores sem a necessidade de login ou senha. O PHP é uma das linguagens de programação mais utilizadas no mundo e está presente em sites, plataformas de ensino, lojas virtuais e serviços digitais.

O governo brasileiro emitiu um alerta na quarta-feira (21), por meio do Centro Integrado de Segurança Cibernética do Governo Digital (CISC), orientando os órgãos públicos a atualizar o software para corrigir as falhas.

Segundo especialistas, ainda não há relatos de grandes impactos no Brasil relacionados às vulnerabilidades. No entanto, sistemas que não receberem as atualizações necessárias podem ficar expostos a invasões.

Falhas também afetam sistemas no exterior

A preocupação com a segurança digital também levou organizações de outros países a retirar sites do ar temporariamente. Nos Estados Unidos, a Agência de Segurança Nacional recomendou a correção imediata dos problemas ou o desligamento dos sistemas vulneráveis.

Na França, páginas de administrações públicas, incluindo o site da Prefeitura de Polícia de Paris, ficaram inacessíveis após uma orientação da agência nacional de cibersegurança do país.

As falhas foram identificadas de forma independente em agosto deste ano por pesquisadores da empresa de segurança Calif e pela OpenAI. Posteriormente, a empresa Wiz apontou outras formas de explorar as vulnerabilidades e destacou a gravidade dos problemas.

A descoberta também chamou a atenção para o uso da inteligência artificial na identificação de brechas de segurança. De acordo com a Wiz, modelos de IA foram utilizados para auxiliar na análise das vulnerabilidades, evidenciando o potencial dessas ferramentas para encontrar falhas que poderiam permanecer ocultas por anos.

Uma atualização para corrigir os problemas já está disponível, e a recomendação é que os responsáveis pelos sistemas afetados apliquem as correções o mais rápido possível.

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