

Por Gabriel Previtale
A ceramista Flavia Pircher, moradora do bairro São Joaquim, em Vinhedo, encontrou na argila um caminho que mudou sua vida. Natural de São Bernardo do Campo, ela descobriu a cerâmica há 23 anos, quando ainda era advogada e professora, buscando uma atividade terapêutica para aliviar o estresse. O primeiro contato foi em um ateliê particular, com a professora Magali Ercolin. Depois vieram cursos, testes, pesquisas e experiências que, ao longo do tempo, fizeram dela uma artista essencialmente autodidata.
Flavia se encanta com a liberdade que a cerâmica proporciona: as inúmeras possibilidades de formas, cores e técnicas. Seu processo criativo começa sempre com um tema significativo, seguido de uma pesquisa visual que envolve lugares, cores e texturas. A partir disso, desenha, experimenta e desenvolve peças que dialogam entre si. Suas coleções, como “Curauma”, refletem situações e ambientes que lhe trazem bem-estar.
Curiosa, ela utiliza uma grande variedade de técnicas — torno, placas, modelagem com argila líquida, moldes de gesso, extrusora — e combina todas elas. Na decoração, aplica métodos aprendidos em residências artísticas no Brasil e no exterior. Suas inspirações vêm tanto do cotidiano quanto de temas amplos, como a decolonização, assunto de sua instalação apresentada em Portugal em outubro de 2025.
Há 17 anos em Vinhedo, Flavia afirma ter sido muito bem acolhida e, desde então, retribui participando de oficinas, projetos culturais e instalações no Memorial do Imigrante e no Memorial Adélio Sarro. Hoje, integra o grupo que organiza a futura Associação de Ceramistas de Vinhedo, responsável pela instalação “Germina”.
Com mais de 2 mil alunos em cursos online e agenda de workshops no Brasil e no exterior, Flavia comercializa suas peças em espaços de várias cidades, além de manter presença no Instagram @flavia_pircher.