

Olá, legentes!
Existe uma frase do escritor japonês Haruki Murakami que diz: “Escute – não há guerra que vá acabar com todas as guerras.” E eu digo que qualquer outro pensamento ou frase que tente afirmar o contrário disso é uma grande falácia.
Infelizmente tendemos a não ter empatia com aquilo que nos é mais afastado, como as guerras que ocorrem em países distantes.
Por mais que diariamente sejamos bombardeados por notícias, fotos e vídeos que buscam retratar as guerras, no Brasil, desconhecemos a sensação do que é ter um míssil de cruzeiro Tomahawk com mais de 450 kg de carga explosiva caindo sobre nossas cabeças. Torço para que continuemos sem saber.
Na noite de 27 de fevereiro, no mês passado, um menino de 9 anos de idade brincava de guerra com seu irmão: “Vamos brincar. Eu sou o Irã e você é os Estados Unidos. Vamos brincar com armas e tanques.” Depois, celebrou: “Viu? O Irã ganhou. Eu era o Irã e ganhei.”
Minutos depois, naquela mesma noite antes de dormir, o menino fez suas orações e se deitou após elogiar o jantar que sua mãe havia feito.
No dia seguinte, 28 de fevereiro, acordou e foi se preparar para mais um dia de aula. Vestiu uma calça comprida, escolheu usar a sua camisa xadrez de mangas longas, calçou seus tênis claros e sentou-se à mesa para seu café da manhã.
É provável que na mesa houvesse barbaris cobertos de gergelim, manteiga, alguma geleia, tâmaras e uma boa xícara de chai quente, feito pela mãe no samovar da família.
Após o café, o menino terminou de se preparar para ir à escola: ajeitou a roupa, colocou sua mochila nas costas, encheu seu cantil azul de água, ajustou seus óculos, seguros por correias e saiu.
Mas antes de ir, feliz, pediu que sua mãe o fotografasse — por se sentir bonito e bem consigo, provavelmente.
Atenta àquela criança, seu filho, a mãe registrou o pequeno Mikaeel, pronto para sair e enfrentar seu dia na escola.
“Essa criança era um anjo. Ele costumava dizer: ‘Meu nome é Mikaeel. Mikaeel significa anjo de Deus. Se alguém tiver um desejo, diga-me para que eu possa realizá-lo’”, contou sua mãe numa entrevista.
Mikaeel Mirdoraghi, de 9 anos, não voltou para casa naquele dia. Ele foi uma das 175 crianças assassinadas com um míssil Tomahawk que caiu sobre a escola da cidade de Minab, no sul do Irã.
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