Jéssica conta como é ser mãe de Benício, criança do espectro autista

Desde seu diagnóstico, ele faz acompanhamento na ACESA Capuava

Receber o diagnóstico de autismo de um filho é um momento transformador na vida de qualquer mãe. Jéssica Herrera, 36 anos, viveu esse impacto quando descobriu que seu filho Benicio Herrera, hoje com 9 anos, estava no espectro autista.

“Fiquei sem palavras na hora. Cheguei em casa, chorei muito, pois não sabia como seria dali para frente. Quando se tem um filho, fazemos vários planos e sonhos, idealizamos a criança ‘perfeita’ e, quando vem o diagnóstico, o mundo desaba. Surgem várias dúvidas e incertezas”, relata.

A suspeita surgiu cedo, e, com a indicação de uma amiga, Jéssica procurou um neuropediatra. O diagnóstico veio rápido, quando Benicio tinha 3 anos. Desde então, ele faz acompanhamento multidisciplinar na ACESA Capuava, instituição especializada no atendimento de crianças com necessidades especiais.

A rotina se tornou um grande aliado no desenvolvimento de Benicio. “Faço quase tudo no mesmo horário e as mesmas coisas. Evito lugares com muita gente e muito barulho, mas não deixo de sair com ele”, explica Jéssica. Apesar disso, os desafios são constantes. “A luta para garantir os direitos dele é diária. A falta de conscientização e empatia das pessoas é um dos maiores desafios.”

A adaptação escolar de Benicio teve um início positivo. No primeiro ano, apesar da pandemia, a escola e os professores se mostraram muito receptivos, fornecendo atividades adaptadas semanalmente. No entanto, a mãe acredita que ainda há muito a ser feito. “Falta capacitação dos profissionais da educação e da saúde, falta informação e empatia. Isso torna a inclusão mais difícil.”

Apesar dos desafios, ser mãe de uma criança autista trouxe ensinamentos valiosos para Jéssica. “Aprendi a ter mais paciência e a entender que as coisas não acontecem do jeito que queremos. Elas têm um tempo certo. Passei a enxergar o mundo pelos olhos do meu filho e percebo detalhes que antes me passavam despercebidos.”

Para outras mães que recebem o diagnóstico de autismo em seus filhos, Jéssica deixa uma mensagem de esperança: “Lutem pelos direitos de seus filhos e não se desesperem. Pode ser cansativo, mas não é o fim do mundo. Pelo contrário, é o início de uma jornada cheia de aprendizados e, no final, é gratificante ver cada conquista.”

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