‘Trajetórias de décadas e direitos ainda não pagos’, afirmam os antigos colaboradores


Na manhã desta quinta-feira, dia 27, ex-funcionários do Supermercados Caetano realizaram uma manifestação em Valinhos para cobrar o pagamento das rescisões trabalhistas que, segundo eles, estão pendentes desde janeiro de 2025. A mobilização foi organizada pelo Sindicato dos Empregados no Comércio de Campinas, Paulínia e Valinhos, com apoio da UGT – União Geral dos Trabalhadores.
O protesto ganhou ainda mais força porque entre os manifestantes há ex-colaboradores que dedicaram 10, 15 e até 30 anos de suas vidas ao Supermercados Caetano. Muitos relatam sentir que seus direitos estão sendo usurpados, já que deixaram a empresa há meses sem receber as verbas rescisórias a que têm direito por lei.
O grupo se concentrou na praça ao lado da Escola Estadual Professor Alves Aranha e seguiu em caminhada até a unidade do Supermercado Caetano do Centro, a única loja que permanece aberta após a crise financeira que abalou a rede. Eles afirmam que a reabertura prevista para este mês de novembro só será completa quando os pagamentos trabalhistas forem regularizados.
A manifestação acontece em meio ao processo de recuperação judicial da empresa. Em carta aberta divulgada nesta quarta-feira, dia 26, o Supermercados Caetano informou que o pedido foi deferido em julho e que já apresentou seu plano de recuperação, com a promessa de pagar integralmente os ex-funcionários, sem redução de valores. Ainda segundo a nota, os pagamentos só serão iniciados após a aprovação do plano em assembleia marcada para o próximo ano.
Recordando o caso
O Supermercados Caetano, fundado em 1978, vive uma crise que se tornou pública em outubro de 2024, quando as lojas passaram a exibir prateleiras vazias. O colapso financeiro decorre principalmente da expansão acelerada entre 2018 e 2022, somada ao impacto da pandemia, queda de fluxo de caixa e aumento do endividamento. Em fevereiro deste ano, a empresa declarou uma dívida estimada em R$ 85 milhões, envolvendo bancos, tributos, fornecedores, ex-sócios e aluguéis atrasados, incluindo um processo de despejo da unidade Vila Santana. Apesar disso, o Caetano afirma que seus ativos ainda superam o total das dívidas e que a recuperação judicial é o caminho para reorganizar as finanças e tentar preservar sua operação histórica no comércio local.
O Sindicato reforçou que continuará acompanhando o caso até que todos os direitos trabalhistas sejam pagos. O ato principal aconteceu em frente à loja do Centro, onde os manifestantes destacaram que não lutam apenas por dinheiro, mas por respeito à trajetória construída ao longo de décadas dentro da rede.
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