O que é doação?

Por Wilson Vilela

Doação é o ato de dar algo seu para outra pessoa. Entretanto, muita gente confunde o ato de “doar” com “descartar” aquilo que não lhe faz falta. Por exemplo, se alguém doa uma peça do seu guarda-roupa e que não lhe faz falta pelo fato de que essa peça não mais será usada ou está fora de moda, nada foi doado, mas descartado. O objetivo dessa “doação” foi livrar-se dessa peça incômoda, ganhar mais espaço no guarda-roupa e comprar outra. E, ao invés de jogar a peça no lixo resolveu “doá-la”.

Doação para ser considerada doação tem que ser plena, precisa ser de algo que fará alguma falta. O ato de doar vai muito além da transferência gratuita de algo, sobretudo quando falamos em solidariedade. A doação feita num contexto de caridade, com o intuito de contribuir sem pretensão de receber algo em troca, torna a sociedade mais justa e mais equilibrada.

A doação é um ato voluntário e solidário de amor, uma forma de ter empatia e respeito ao próximo, que além de nos proporcionar bem-estar, nos faz exercitar a empatia e nos tira daquele lugar confortável em que nos encontramos muitas vezes, quando pensamos que os nossos problemas são maiores que os dos outros ou que somos os únicos a enfrentar dificuldades.

Ajudar o próximo é a prática desinteressada de fazer o bem e proporcionar alegria para outra pessoa. Isso pode vir como um suporte financeiro, uma conversa e, principalmente, quando doamos tempo. Uma pessoa ocupada que doa tempo, sem dúvida, estará doando algo significativo, porque o tempo é esgotável, finito e “incomprável”. O tempo doado é nosso, não se compra, não se consegue repor. Tempo é valioso na sua essência, notadamente para pessoas que são ocupadas com suas profissões e negócios.

Quanto mais negócios se tem, mais precioso é o tempo. Para atingir a lei da doação, em síntese, é preciso dar algo de que sentiremos falta, e isso será mais pleno ainda se conseguirmos fazer a doação de uma forma que ninguém saiba. Imaginem colaborar com a nossa presença física num lar de idosos, lendo para eles; numa creche, lendo para as crianças, doando-lhes o nosso tempo. O universo, ao receber essa entrega desinteressada de tempo, de estar no anonimato, vai devolver a mesma energia e gratidão que essas pessoas terão a quem a elas se dedicam.

O Evangelho nos ensina: “Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; para que a tua esmola seja dada em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, ele mesmo te recompensará publicamente.” (Mateus 6:1-4) Contudo, parece oportuno esclarecer que é importante que reflitamos que mesmo em se tratando de “descarte”, muitas pessoas poderão ser ajudadas, e isso não deixa de ser materialmente uma boa providência. Porém, o que estou buscando nessa reflexão que trago aos meus leitores, é que isso não deve ser considerado como uma “doação”, porque, como dito, o ato de doar prescinde o anonimato e a entrega de algo que nos fará falta.

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