“O que mais me inspira na vida é acreditar no ser humano”

Tite Stopiglia é referência cultural, musical e intelectual em Valinhos. Seus inúmeros trabalhos e realizações marcaram a histórias e os rumos da cidade

Com o popular apelido de Tite, dado por seu pai ainda na infância, Antonio Stopiglia, hoje com 82 anos, contou um pouco sobre sua história de vida, nesta seção especial do Jornal Terceira Visão. Ele é filho de José Stopiglia, que era guarda-livros – antiga profissão que equivale hoje a de contador -, e de Amélia Valente Stopiglia. É ainda marido da Neusa Maria Mamprin Stopiglia, pai do Ricardo, Rafael e Renata, e também avô do Artur, João Pedro, Gustavo, Ana Luiza e Mateus.

“Sou de família antiga de Valinhos, mas meu pai tinha um negócio em Franco da Rocha, onde nasci, juntamente com meus irmãos José e Valdécio. A Ana Maria nasceu em Valinhos”. Cidade que o intelectual definiu como um lugar de paz: “É onde se pode viver e ainda sonhar. Precisa ser melhor cuidada pelo Executivo Municipal”.

Como a música surgiu

“Minha mãe era uma pessoa muito alegre, cantava e assobiava o dia todo”, contou Tite sobre suas primeiras “influências musicais”. O intelectual afirmou que as pessoas que a conheceram sua mãe jovem relatavam que ela era “linda, enfermeira, e que conservou a beleza até a idade adulta”. Já seu pai, Tite descreve como muito culto, reservado, de poucas palavras e de muito bom senso. “Tinha uma incrível capacidade para cálculos matemáticos”, completou.

Sobre seus estudos musicais, relatou: “Em Campinas estudei um curto período no Conservatório Musical Dr. Gomes Cardim. Depois estudei durante sete anos na Escola Livre de Canto e Música Sylvio Bueno Teixeira. Sou sócio fundador da ABAL – Associação Brasileira de Artistas Líricos Carlos Gomes, onde convivi e conheci grandes nomes da arte Lírica. Durante mais de vinte anos fiz repertório de canto com a pianista Ana Carolina Sacco e esse mister ainda continua”.

Família

De costumes tradicionais, Tite ressaltou como foi sua formação: “Meus irmãos, como eu, foram educados no sistema patriarcal antigo, onde o respeito e os bons hábitos eram obrigação. Todos estudaram. Eu e o José chegamos ao Superior. Cursei o primário no Grupo Escolar Professor Antonio Alves Aranha. Depois fiz o antigo ginasial no Colégio Cesário Mota, em Campinas. Minha infância foi cheia de alegria: Morei na Rua Carlos Gomes, onde antigamente se podia brincar na rua o dia todo. Depois morei na Vila Gessy, que na época era um paraíso e onde tudo era possível para uma criança”.

“Minha juventude foi sempre de trabalho. Embora fosse uma criança livre, desde os nove anos já tinha algumas obrigações. Aos 11 anos, depois de completar a educação primária, já trabalhava o dia todo e estudava à noite. Mas nunca deixei de ter minhas regalias: Amigos, cinemas, tinha uma Vespa, com a qual podia passear sem nenhum risco, frequentava escola de música, onde além de realizar o sonho de cantar, mantinha um grupo seleto de amigos, podendo já nessa época conviver com a arte e cultura”, declarou nostálgico.

É claro que não poderia faltar a história de como conheceu sua esposa: “Conheci a Neusa na antiga Companhia Gessy Industrial, onde trabalhamos. Eu no escritório e ela na qualidade de produção. Casamos no dia 23 de setembro de 1969. Meu primeiro filho, Ricardo, nasceu quando eu tinha 29 anos. Ser pai de família é uma experiência única. A família é a única e verdadeira instituição social. As demais são complementos”.

Por fim, definiu: “Ser avô é ser pai novamente. E eu tenho procedido como avô da mesma forma que como pai. Filhos e netos são dádivas de Deus, com infinitas possibilidades, cabendo a nós direcioná-los para o bem”.

Trabalhos

Tite afirmou que foi gerente, por 16 anos, da maior empresa de transportes pesados de Campinas, sem ter curso superior de administração. “Fiz tudo na raça e na coragem como autodidata. Depois cursei uma licenciatura de Filosofia na Pontifícia Universidade Católica de Campinas com extensão Universitária em Estética Filosófica, curso que eu faria mais três vezes se fosse necessário e oportuno. Sempre em período noturno e aos sábados pela manhã”, pontuou.

“Implantei uma política de Cultura em Valinhos quando fui secretário na primeira gestão do ex-prefeito Vitório Antoniazzi, depois permaneci por mais duas gestões. Eu tinha reconhecida vivência com a Cultura quando o Dr. Vitório Antoniazzi foi eleito para a sua primeira gestão”, afirmou.

Além disso, Tite acrescentou que foi membro do Conselho Municipal de Cultura. “As indicações do Dr. Wilson Vilela e do Dr. Ruy Meirelles, vice-prefeito eleito, foram decisivas para a aceitação do Dr. Vitório”, reconheceu e cravou: “A cultura é a vida. Ela nos dá as bases para estabelecer o juízo crítico possibilitando discernir sem causar prejuízos a outrem”.

Ele também foi secretário de Cultura em Pedreira de 1989 a 1992, e prestou serviços nas áreas de Cultura e Turismo em Jaguariúna, Monte Alegre do Sul, Amparo, Sumaré e até no Rio de Janeiro onde assessorou uma exposição de obras de Flávio de Carvalho. Também foi diretor administrativo da Sinfônica de Campinas por um curto período.

O futuro…

Em sua conclusão, o intelectual, referência cultural de Valinhos, proferiu: “O que mais me inspira na vida é acreditar no ser humano, criado e inspirado nos moldes ditados por Deus, com suas infinitas qualidades, apesar da maldade dos homens, sempre presentes e que, aos poucos, seja derrotada pelo conhecimento e pela sabedoria. 

Sinto-me realizado até aqui, dentre as muitas coisas que fiz, escrevi “História de Uma Linda Cidade Valinhos”, editada pela Fundação Educar D. Paschoal e “Lampejos de Memória”, uma breve autobiografia.

Mas sinto também que ainda tenho muita coisa para fazer. Vejo que o caminho que tracei tem arestas a aparar que me ensinam a deixar menos para corrigir a caminho do futuro, até onde Deus permitir”. 

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