Programa escuta e reconstrução promove escuta sensível e caminhos para ressignificar a vida após o luto


A dor de perder um filho é um abismo para o qual ninguém está preparado. É uma ferida que atravessa a alma, muda a forma de enxergar o mundo e deixa marcas que o tempo não apaga. Para transformar essa dor em encontro, escuta e reconstrução, chegou a Valinhos o projeto “Prosseguir – Mães Enlutadas”, idealizado pela psicóloga e tanatóloga Mônica Serpentini. A iniciativa, que nasceu em Campinas e se expandiu para outras cidades, realizou seu primeiro encontro no município em parceria com o Grupo Rosa e Amor, criando um espaço seguro e humano para mães que perderam seus filhos e buscam um novo sentido para continuar.
Especialista no estudo da morte e do morrer — a tanatologia — Mônica explica que o “Prosseguir” surgiu da necessidade de acolher mulheres que não encontravam lugar para expressar sua dor. “Muitas carregam esse sofrimento sozinhas por anos, sem apoio familiar ou social. Quando descobrem um ambiente de escuta e empatia, percebem que não estão sozinhas. Elas compartilham histórias, choram, riem e, aos poucos, começam a enxergar possibilidades para seguir adiante”, afirma.
Os encontros do projeto não são sessões terapêuticas, mas rodas de partilha profundas e transformadoras. Ali, cada mãe reconhece no relato da outra suas próprias emoções e entende que o luto não segue uma linha reta — oscila como uma montanha-russa, com dias de coragem e dias de desespero. “Perder um filho é enxergar a vida em preto e branco. Com o tempo e com a troca, novas cores surgem. Elas percebem que podem voltar a sorrir — talvez não com o mesmo sorriso, mas com um novo significado”, diz a psicóloga.
O impacto do projeto ultrapassa o espaço dos encontros. Ao liberar sentimentos represados, muitas mulheres relatam transformações profundas não apenas em si mesmas, mas também na dinâmica familiar. Relações afetivas se fortalecem e o convívio com os outros filhos ganha novos contornos. “A mudança é visível. Elas passam a olhar a vida de forma diferente e a reconstruir laços que estavam rompidos”, destaca Mônica.
Os encontros do “Prosseguir – Mães Enlutadas” acontecem sempre no segundo sábado de cada mês, às 10h, no Instituto Rosa e Amor, e estão abertos a todas as mulheres que perderam seus filhos — não importa há quanto tempo. Em um mesmo grupo, estão reunidas mães que vivem essa dor há poucas semanas e outras que convivem com ela há mais de duas décadas. “O tempo não apaga a saudade, mas ajuda a realocar a dor em um lugar onde é possível seguir vivendo”, resume Mônica
A participação é gratuita e não requer inscrição. Basta comparecer ao local ou entrar em contato pelo Instagram @prosseguir.maesenlutadas. “Quanto mais mães acolhermos, mais forte será essa rede de amor e apoio. Ninguém precisa enfrentar essa dor sozinha”, conclui.
Confira a entrevista completa sobre o projeto ‘Prosseguir – Mães Enlutadas’ no nosso canal do YouTube :